Que saudades já tenho do Sócrates e do Teixeira dos Santos, pá! Levávamos bordoada pela medida grande, mas pelo menos juravam-nos a pés juntos que não havia crise, que não estávamos falidos, que o nosso País era imune à voracidade dos especuladores, e a nossa economia um oásis de resistência às maquinações das tenebrosas agências de Rating. É que estes tipos que pusémos lá só dizem que isto está uma desgraça, que é preciso fazer sacrifícios, reforçar a austeridade, ir além do Memorando de Entendimento, e outras coisas assim, que não se entende bem mas soam mal. E deprimem. Como já andamos deprimidos e preocupados, há pessoas e situações que têm o condão de nos irritar ainda mais. Não é propriamente raiva, é um prurido, uma cólica, um incómodo. O Jurássico Mário Soares, por exemplo, é uma dessas melgas. Sempre que o vejo lembro-me da grande Amália Rodrigues, que continuou a cantar os mesmos fados quando já devia estar reformada, e a ser religiosamente ouvida por muitos porque era uma diva, uma referência, uma peça de Museu. Assim é Soares, sem tirar nem pôr, só que o seu pensamento político desafina ainda mais que a voz da derradeira Amália. Melguinhas menores têm sido todos os ex-ministros e homes-fortes do Período Socrático. Criticam o Governo como se não tivessem passado todos estes anos a afundar o País. Exigem mudanças de rumo e alteração de poliíticas com a desfaçatez irresponsável do pirómano que provoca um incêndio para poder reclamar da ineficácia dos bombeiros. Já agora, também irrita constatar a falta de critério da Comunicação Social, que continua a dar tempo de antena ao açoriano Ricardo Rodrigues, o que esconde gravadores nos bolsos quando não gosta dos jornalistas. Houvesse-"os" no sítio e esse senhor nunca mais era entrevistado na vida. Por cá, José Manuel Coelho também se tornou uma boa melga: perdido o efeito surpresa das presidenciais, continua a persistir no mesmo tipo de actuação, seguido pela mesma meia dúzia de acólitos. Já não diverte nem entretém, e pouco incomoda o PGR AJJ. Ou seja, só provoca uma comichão residual em quem já tem tanta "sarna" para se coçar. E por falar no Dr. Alberto João, a coçeira que sente não deve ser tanta assim, pois lhe permite manter pelo menos um dedo livre. Que use esse dedo do meio para acenar às câmaras de televisão é que incomoda mais que um "mosquito de Santa Luzia". Isto numa altura em que, por muito que se esforce, não há atoarda sua que desassossegue os companheiros do partido em Lisboa. Parece que descobriram um repelente que resulta, até as ameaças de independência lhes passam ao lado como um zumbido. Quem também já cansa é o "Maxi miando". Todo pompa e fachada, conteúdo ZERO. O discurso é oco, redondo. A pose de futuro próximo Grande Líder é como um fato de tamanho XL num perfil político SMALL. Mas se os egos usassem roupa, assentaria que nem uma luva. É o Ferrari a pedais da política madeirense. O novo Chefe do Partido, o cordial camarada Tó Zé Seguro, bem que lhe afagou o pêlo no Congresso, mas como elogiou toda a gente e abraçou quase toda (até o Francisco Assis teve direito a um carinho, cruzes!), o efeito perdeu-se. O que não se perde são os tiros que se vão dando nos pézinhos, nesta nossa terra de Deus. Aliás, nada se perde e tudo se transforma, a começar pela língua portuguesa. Confesso que é uma embirração especial que tenho - faz-me comichão ver erros de palmatória em locais públicos. Há alguns meses referi que no Parque Desportivo de Água de Pena era obrigatório o uso de "joalheiras", mas as placas ainda lá estão, perpetuando o atentado aos "joalhos" dos utentes. Agora foi no Museu do Açúcar, fechado para obras por tempo indeterminado. Colada à porta, uma folha A4 explica o motivo do encerramento e lamenta o "ENCÓMODO". Não é importante, dirão. É irrelevante, uma embirração, também sou uma "melga". Pois que seja, mas não consigo evitar. São coisas que me "encomodam"…
Raul Ribeiro