A confusão em que a máquina política está a deixar o desporto desta terra e os apertos que toda a população está a passar na generalidade leva-me a perguntar: "Quo Vadis" desporto madeirense ? Os clubes afogados em dividas quase agonizam ao sabor de uma solução. Quem criou e estimulou as expectativas de muitos orgulhosos dirigentes desportivos agora dá respostas mais complicadas. Tal incentivo foi politicamente útil, pois em quase todas as freguesias e concelhos havia um clube , o que se traduzia em influência e votos. A ideia de apoiar e incrementar a prática desportiva ao jovem madeirense, diminuindo as diferenças que existiam quando as nossas equipas iam às fases finais e regressavam ajoujadas ao peso das derrotas caiu bem. Paralelamente a isto, foi criada uma rede de infraestruturas para essa prática, com as inerentes despesas de manutenção que tais equipamentos acarretam. Mas como havia apoio político e dinheiro para pagar, os clubes contrataram muitos dos melhores atletas nacionais e alguns bons estrangeiros que no imediato fizeram com que as equipas passassem a jogar de igual para igual e, de derrotadas passaram a vencedoras, além de passar a haver uma permanência constante no principal escalão do futebol. Esse apoio era feito através de contratos-programa como forma de publicitar a Madeira. Mas como a conjuntura está a obrigar a mudanças profundas e a repensar esse modelo, voltamos aos tempos da necessidade do Clube Único, o (CÚ). Ora este (CÚ) há muito que tinha sido sugerido e quase imposto, mas como muitos não gostaram de ter um (CÚ) a representá-los nas competições ficou tudo na mesma. Se for esta a solução para o futuro, o que é que vai sair dele ?
João M. M. Castro, Psicólogo Clínico