Há uns anos, o sócio do Clube Sport Marítimo, Alberto João Jardim, na qualidade de gestor máximo dos dinheiros públicos, propôs à sociedade madeirense a criação do Clube Único. Com essa proposta, a sua estratégia organizativa para o futebol da Madeira, à época, assentava no princípio da representatividade da Região, nas competições nacionais e estrangeiras. O plano concebido subdividia-se em diversos setores: economia de custos, investimento concentrado, marketing promocional e turismo desportivo, todos eles, reunindo fatores de desenvolvimento interno e externo. Na nossa modesta opinião, era um plano visionário, exequível e de sucesso, no seu âmbito. Não obstante, o proponente errou, apenas, no nome: em vez de Clube Único, deveria ter-lhe chamado Equipa Única. Ora, a sociedade é livre de criar organizações, empresas, clubes, etc., no princípio da livre iniciativa. Tendo a Madeira clubes de futebol centenários, sócios ufanos, história, pergaminhos e troféus, a proposta não foi aceite; pelo contrário, vilipendiada. A Madeira também está atolada na crise económico-financeira mundial. Nos últimos meses, muito se tem falado, regionalmente, de organização e desenvolvimento desportivo; de redefinição do financiamento público ao desporto, em especial, ao futebol profissional; de uma nova política que privilegie o desporto para todos; maximizar instalações desportivas existentes; revisão da estrutura organizacional do IDRAM, etc. Em crónicas anteriores, abordámos os temas de que se discute, hoje, desde quando se vislumbrou esta crise. Fizemos alertas e apelos de reorganização, invetivando e cooptando dirigentes desportivos, professores e universidade. Concordamos com algumas propostas da oposição, apresentadas para a área desportiva, porque os dinheiros públicos, resultantes de impostos, devem ser geridos e aplicados na sociedade que os paga, no seu bem-estar e nas suas humanização, integração e saúde. Os impostos dos Madeirenses não podem ser aplicados - no caso desportivo - no futebol profissional. Resta-nos, então, sugerir ao proponente do Clube Único, que avance com o plano anterior e lhe dê o nome de Equipa Única, de forma a desinvestir nos clubes de futebol profissional, sobrando, assim, muito dinheiro público para o desporto amador, federado e clubes-escola.
Urbelino Ferreira, Dirigente Desportivo