O Gabinete é um instrumento ao serviço da Região. Muito bem. Com este estatuto e com um dirigente a preceito, permitiu-se replicar em seu seio, tudo quanto mexe cá fora. Filarmónicas, Bandolins, Grupos Tradicionais, Cordas, Coros, Ensembles, Combos, Bandas, New Sounds, etc, etc e como se sabe tudo pago, tostãozinho atrás de tostãozinho, pelo erário publico. Água luz telefone, professores carros carrinhas, condutores, administradores, coadjuvadores, instalações, instrumentos, etc, etc, e etc, tudo, tudo á borla. Muito bem. De mansinho, pé ante pé, protocolo aqui, protocolo acolá,Festa do Vinho, Festa do Livro, Fim do Ano, Carnaval, Capitais da Cultura, Dia da Cidade, Dia da Região, etc, etc, e etc e quando o pessoal se precatou, nem o Natal dos Hospitais escapou. Muito bem. Ainda não contentes, - sim porque está em causa o bem colectivo - conforme apregoaram, toca a ir aos grupos não arregimentados, recrutar os melhores elementos para, em benefício do tal "colectivo", inchar o ego do Gabinete. Foi o que aconteceu com a Tuna de Bandolins do Laranjal em Santo António, que de súbito finou-se. Os Bandolins da Ribeira Brava vão a caminho. O Xarabanda já se vê grego para justificar o facto das suas edições virem com o selo do Gabinete, como o prova o Cd de instrumentos apresentado recentemente. ( amigo Rui, eu bem te avisei...). As Filarmónicas, algumas centenárias, definham enquanto a do Gabinete engorda, evidenciando já alguns sinais de obesidade.( tudo a custo zero) Ficam a faltar apenas os Grupos Folclóricos e os Órgãos de Igreja. É obra!!! Este sufoco incomoda-me. Incomoda-me e devia incomodar a SRE. Para além de fundador e actual presidente da Associação de Bandolins da Madeira, sou responsável por uma instituição quase a completar cem anos ao serviço da Cultura Madeirense. Não me calo.

Eurico Martins, Director artístico