1-Desta vez não foi possível repetir 2009 (quando o Nacional surpreendeu a Europa e fez História eliminando o detentor da Supertaça Europeia - Zenit da Russia) e vencer uma equipa com orçamento 7 vezes superior ao nosso. Todavia, é interessante notar que esta derrota (aliada à de seunda-feira passada com o Benfica) deixa muita gente com um sentimento de insatisfação, como se fosse "quase obrigatório" ganhar equipas com orçamentos muito superiores ao nosso. É bom sinal. Estamos acostumados a que o CDN consiga estes "milagres" apesar da enorme diferença de orçamentos. Tal como na Liga: Porto e Benfica com orçamentos brutais, Sporting e Braga com orçamentos muitíssimo superiores ao Nacional e ainda o Guimarães com um orçamento que é o dobro do nosso. Ainda assim lutaremos pela Europa, outra vez. Isso é bom. O que é mau é ver que alguns, na Região, preconizam o "nivelamento por baixo", esquecendo o que foi conquistado ao longo de anos, insistindo em reduzir todo o Desporto ao "pontapé na bola" do clube de bairro… 2-É que ninguém duvide que o futebol profissional é um bom negócio para a Região! Efectivamente, só o futebol profissional consegue aproveitar a comparticipação financeira da Região transformando-a em retorno através do pagamento de impostos na Madeira. A imprescindível comparticipação financeira regional (cerca de 40% do orçamento do Clube) é acompanhada de vários patrocínios e do valor relativo a direitos TV. Deste valor total são pagos impostos e contribuições para segurança social que permitem igualar o montante da comparticipação. Entretanto, são criados postos de trabalho para muitos que dependem directa ou indirectamente do fenómeno desportivo além de permitir que o clube através do futebol profissional sustente não só a formação de crianças e jovens no futebol mas também noutras modalidades (no Nacional são 10 modalidades e quase 2000 praticantes - cerca de 700 em futebol jovem e 1100 noutras modalidades). Ora, a verba investida em cada um dos clubes madeirenses da 1.ª Liga é igual à recebida pelo Santa Clara dos Açores na 2.ª Liga! Mas não esqueçamos que um atraso de verba no futebol profissional permite a um atleta com um "passe" avaliado em milhões a rescisão unilateral por falta de pagamento.
Pedro Mota, Advogado