Quando me confronto com o dito popular "enquanto há vida, há esperança", costumo acrescentar também "enquanto há esperança... há vida". Vem este trocadilho a propósito de recentes declarações e informações sobre o planeamento turístico para as Ilhas da Madeira e do Porto Santo. Na primeira, o Presidente da Câmara do Funchal, defendeu recentemente um Plano estratégico que preveja um aumento de taxas de ocupação para 65% e de receita hoteleira de 40% ( não li o prazo para o cumprimento deste objectivo). Na segunda ( Porto Santo), os autores do Plano de Ordenamento Turístico (?) prevêem uma capacidade instalada de ..18.000 camas. Julgo que o estudo mais profundo, feito sobre a evolução da oferta turística neste destino, é da década de 90. Um concurso internacional permitiu que os Consultores Pannell Kerr Foster/Shankland Cox e outros Associados, apresentassem um Plano de desenvolvimento turístico, em que eram apresentadas, em alternativa, três propostas de crescimento. Cada um destes cenários, tinha sustentado uma tipologia de oferta hoteleira diferenciada, de acordo com a opção tomada e antecipava a reacção da procura à concretização dos vários tipos de infra-estruturas, públicas e privadas, que justificavam a decisão tomada. Da quantificação das acessibilidades, à diversificação geográfica do parque hoteleiro, ao tipo e destinatários preferenciais da promoção, da instrução e formação hoteleira, etc… Tenho uma pena enorme que esse Plano tenha desaparecido nas gavetas da Secretaria Regional de Turismo e Transportes, pois cada vez que é pedido esse estudo, a resposta é que já não está… disponível. Confrontando o que entretanto aconteceu com os cenários que o estudo defendia, chega-se facilmente à conclusão que, por muitos e variados motivos, fizemos crescer a oferta numa opção maximalista, querendo auto-convencermo-nos e passando a correspondente mensagem, de que podemos sustentar a nossa oferta turística num cenário "virtual" de crescimento minimalista e fortemente elitista. O mercado tem-se encarregado de passar a mensagem cá para dentro que não aceita esta leitura. E por isso os preços estão, em muitos casos, muito baixos e sobretudo sem grandes hipóteses de grandes actualizações. A menos que haja grandes e sólidas preocupações na recuperação e qualificação do nosso destino turístico...., não poderemos cantar alto que vencemos a batalha da diferenciação. É por isso que... seria muito bom ler ou ouvir os compromissos do Presidente da Câmara da nossa Capital, nomeadamente, sobre quando e como vamos informar os nossos turistas acerca de: 1- a recuperação dos acessos ao mar, nomeadamente o Lido, 2- a estratégia de gestão da Zona Histórica do Funchal , com particular realce para as intervenções nos prédios degradados, pois apesar de importantes, as pinturas das portas e os ONs não resolvem , antes disfarçam os verdadeiros problemas da zona, 3- plano de ordenamento comercial do centro da cidade, com objectivo de recuperação de uma dignidade que se deteriora diariamente, 4- alternativas de trânsito no Funchal, com uma particular incidência na Estrada Monumental, onde uma grande parte de oferta hoteleira regional se debate com ambientes caóticos ( e o Lido está fechado), 5- limpeza do aterro no centro da cidade, com soluções transparentes em todos os sentidos da palavra e que não façam passar por vergonhas, quando temos de mostrar os nossos pântanos na foz das ribeiras, 6- limpeza e definição clara do que se pretende para o terminal norte do porto do Funchal, 7 - gestão dos ruídos, com particular incidência nos nocturnos, causadores de profundas reclamações, por parte de quem escolheu a Ilha ( ou as Ilhas) pela sua imagem de tranquilidade e bem-estar, 7 - acções, juntamente com a Polícia e Privados , que visem reduzir a insegurança que cresce exponencialmente nesta Cidade, e….e….e… Um compromisso de empenho nestas áreas, assumido por aqueles que têm a responsabilidade em gerir o "macro-destino" ( e a responsabilidade não é só da Câmara Municipal do Funchal) permitiria sim, pensar em melhores preços e melhores taxas de ocupação e sobretudo sentir-se que há uma estratégia de qualificação do destino. Quanto á nossa Ilha irmã, onde residem menos de 4.000 porto-santenses, seguirei com muita atenção, as "receitas" apresentadas para a compatibilização deste crescimento para 18.000 camas, com o espaço físico ainda disponível, com o suporte humano para essa oferta, etc, etc... Sonhar e fácil, mas ,…. às vezes, surgem implicações perversas… Mas porque nem só os sonhos comandam a vida, o meu agradecimento como empresário à SATA, pelo seu compromisso e cumplicidade com o turismo na Madeira. Correndo alguns riscos, esta Companhia aérea tem assegurado para o período de Inverno (nossa principal preocupação) oito voos semanais que cobrem a Dinamarca, a Suécia, a Noruega, o Reino Unido, a França e as Canárias e sem a qual, as ligações para aqueles Países, ou não existiriam, ou teriam uma menor exposição neste período cada vez mais difícil de vender. Falta ainda os EUA, mas julgo que ainda veremos em breve um avião a aterrar oriundo de Boston, por exemplo. Um bem-haja.
António Trindade, Empresário