Há coisas que de tão estúpidas só podem fazer rir. Pelo menos numa primeira análise. É esse o caso da decisão espectacular - porque estúpida e totalmente desajustada - do presidente da Câmara Municipal de São Vicente que tentou vetar o apresentador de um livro de uma jornalista madeirense. Uma escritora natural do concelho e que pretende mostrar um trabalho na sua terra. O senhor, médico de profissão e político nas horas vagas, procurou pressionar para que o director do DIÁRIO fosse desconvidado - a palavra nem deve existir - porque não seria politicamente aceitável.

Como anedota até tinha piada, se não se tratasse de uma barbaridade, de um atropelo às mais elementares regras do convívio entre gente civilizada. De um episódio patético fica, como única nota (muito) positiva, a excelente reacção da jornalista - até começou a trabalhar nesta casa -, que pura e simplesmente vetou o presidente da câmara. Só é pena que não surjam mais vetos desses.

Este episódio, mais um na longa lista de vergonhas 'laranja' que se multiplicam de há uns tempos a esta parte, é um exemplo de até onde pode chegar a vontade de agradar ao chefe. É tão ridículo como aquela curiosa solidariedade política que, qual alucinação colectiva, levou a que os militantes do PSD-M deixassem de escrever neste jornal. Ou como aquele vergonhoso voto de protesto, com o delegado da CNE na Madeira, que foi votado no parlamento.

É verdade que estamos a poucos meses das eleições regionais - as autárquicas são só em 2013 mas há quem já queira marcar lugar -, mas nem isso justifica que se sacrifiquem princípios (a quem os tiver) e se assumam vergonhas desta dimensão.

O senhor presidente da Câmara de São Vicente, além de ser médico, foi forcado - creio que do Aposento da Moita -, uma arte corajosa que obriga a enfrentar o riscos de frente. Pelos vistos, há muito tempo que não pega um touro.

Post Scriptum: O chefe congratulou-se com o gesto de censura do subordinado que, segundo o seu alucinado raciocínio, vetou a 'piolheira'. Curiosamente, era assim que o idiota do rei D. Carlos tratava o seu País. Quando regressava das múltiplas viagens, pagas pelos portugueses, dizia que voltava para a 'piolheira'. Infelizmente fez escola.