Quando se chega às épocas de transferências de jogadores e treinadores é habitual assistirmos às mais diversas conversas sobre as possíveis contratações dos clubes e das reais capacidades financeiras dos mesmos para fazerem face a essas contratações. E porque para vender, os jogadores dos nossos clubes são sempre avaliados como os melhores do mundo, já para contratar não é bem assim, tem de ser sempre baratinho, o que muitas vezes não é bem verdade. Para contrariarem a cada vez maior dificuldade em contratarem bons jogadores, os clubes encontram nos parceiros de investimento uma forma de fazer chegar ao clube, aquele jogador que de outra forma não seria possível. Os chamados fundos de investimentos estão a intervir cada vez mais no futebol enquanto parceiros de investimento com os clubes. Veja-se o exemplo brasileiro, bancos, farmacêuticas, supermercados. Muitos dirão que este cenário não é benéfico para o futebol mas é uma realidade cada vez mais incontornável nos dias de hoje, existem inúmeros casos de clubes que mais parecem "barrigas de aluguer", onde o jogador passa uma época ou mesmo meia, tendo como destino outro clube, com poucos benefícios económicos para o clube e muitas vezes até o benefício desportivo é duvidoso. É cada vez mais importante os clubes (re)apostarem na formação e dar-lhes oportunidades e não pô-los a rodar indefinidamente até acabarem os contratos. As academias fazem um trabalho importante, no surgimento de novos jogadores. Veja-se o exemplo da Dragon Force que tem feito um trabalho notável de norte a sul e ilhas de Portugal na captação de jovens talentos para o FC Porto. E que prepara-se para entrar no Brasil com um projecto em Pará de Minas, com a construção, com inicio previsto para o inicio de 2012, de um Centro de treinos para jovens a partir dos 15 anos, onde se inclui 10 campos de futebol, alojamento para 130 atletas, um hotel para delegações entre outras coisas, numa área de 980 mil metros quadrados. Este projecto só é possível com várias parcerias entre elas a do município de Pará de Minas que cedeu o terreno. São estas parcerias a médio longo prazo que interessam criar e preservar, apesar de saber que a existência dos fundos são importantes em cenários de curto prazo em virtude de muitas vezes surgirem nos clubes problemas de liquidez. Mas os interesses muitas vezes são elevados e até curiosos, veja-se a título de exemplo que o centro de treinos do FC Porto no Brasil, primeiramente situar-se-ia em Ribeirão das Neves mas o Município, por contrapartida da cedência dos terrenos queria receber percentagens dos valores dos passes dos jogadores formados nesse centro. Curioso…. Parcerias sim, são importantes, dependências ou até mesmo subserviências de fundos não.
Duarte Vieira Advogado