Sabíamos que após o acordo estabelecido com a troika que iríamos ter dias muito mais difíceis com reflexos nos parcos recursos financeiros que os portugueses presentemente dispõem, sobretudo aqueles que trabalham por conta de outrem e os que sobrevivem de míseras reformas. O recente aumento das tarifas dos títulos de transportes públicos, excessivamente elevado para o actual nível de vida da maioria dos portugueses, independentemente das razões económicas - financeiras que possam estar subjacentes, veio revelar uma vez mais que as decisões políticas são tomadas, maioria das vezes, sem a devida ponderação, sobretudo a nível de implicações sociais que possam causar, optando-se quase sempre pela via mais fácil e imediatista: aumentar. Sabemos, de há muito, que as empresas públicas constituem o tumor maligno das contas públicas com elevados deficits de exploração que se têm vindo avolumar ao longo dos tempos sem que se tenha feito rigorosamente nada para combater a forma desastrosa como têm sido geridas. Estes aumentos chocam tanto mais quando é sabido o elevado nível salarial que é despendido com as administrações das empresas públicas. Portugal é um país de grandes contrastes que nas últimas décadas se tem vindo acentuar. Alguns, poucos, auferem rendimentos mensais de todo incompatíveis com o nível de riqueza e de produção do país Por isso não é possível passar a mensagem de partilha de responsabilidades por todos quando sabemos que o Estado gere muito mal aquilo que usufrui dos seus contribuintes, desperdiçando recursos em gastos inúteis, perfeitamente dispensáveis e que alimenta uns poucos que têm levado o país à situação financeira e económica que nos encontramos. É evidente que precisamos de empresas sustentáveis mas para lá chegarmos é imprescindível tomarmos as decisões nos momentos certos e que passam necessariamente pelo desaparecimento de todas aquelas que não fazem falta e pela reestruturação das que efectivamente são imprescindíveis ao bem comum com racionalidade e gestão criteriosa devidamente acompanhada. O Governo acaba por cometer, ou a isso foi obrigado, erros bem recentes. Aumenta-se, o seu valor é despropositado, porque é o caminho mais fácil e imediato para obter mais receita e pouco interessa os efeitos colaterais que a decisão possa acarretar sobretudo para quem usa diariamente transportes públicos. Manda-se às malvas a tão proclamada campanha: Utilize o transporte público na sua deslocação.

José Manuel Oliveira