"Enquanto o Governo tiver este secretário de Estado, não virá a esta Câmara [Assembleia da República] nenhuma proposta de alargamento dos benefícios para a Zona Franca da Madeira". A intransigência, bem vincada nas palavras do ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, caiu mal durante a discussão do Orçamento de Estado para 2011, em Março último, era o governo ainda liderado por José Sócrates. Mas a verdade, é que esta posição pouco ou nada difere da agora assumida pelo Governo presidido por Passos Coelho.

Na verdade, mudaram apenas os interlocutores e o nome dos ‘dossiers’ que ambos seguem à risca e levam para todo o lado debaixo do braço. Em vez do carrancudo e cara de aço Sérgio Vasquez e do seu impopular Plano de Estabilidade e Crescimento - que esteve na origem da demissão do Governo - aparece agora um ministro das Finanças monocórdico, que ficava bem como sósia de Miguel Góis (do Gato Fedorento), mas que aparece assim como fiel depositário do memorando da ‘troika’. Diz Vítor Gaspar que a “colossal” dívida de gratidão para com os credores europeus responsáveis pelo resgate financeiro ao nosso país “condiciona fortemente” a renegociação do regime de incentivos fiscais do Centro Internacional de Negócios da Madeira com Bruxelas. Cinco meses depois, parece que ‘redescobrimos’ as mesmas soluções e reencontramo-nos à beira do velho abismo. É este desnorte que queima tempo numa terra calcinada pela dívida pública que abomino na política executiva portuguesa.

E perante tal evidência da dependência financeira do nosso país, qual importador de capitais estrangeiros para pagar salários aos funcionários públicos, só por brincadeira de muito mau gosto alguém com responsabilidades governativas na região campeã nacional da dívida pública, vem a terreiro acenar, em tom de ameaça, com uma absurda e caquéctica independência. Reagindo assim, Alberto João Jardim não amedronta ninguém. Embaraça apenas, e uma vez mais, os madeirenses. E não agoura nada de bom aquela manhosa venda nos olhos que o secretário regional do Plano e Finanças acaba de nos oferecer para tapar as vistas: ‘congelando’ até Outubro, depois das eleições regionais, a revelação do valor da dívida da Região Autónoma da Madeira. A tal que, segundo o PS-M, deverá rondar os 8 mil milhões de euros. A abnegação do direito a todos serem informados com rigor sobre a verdadeira dimensão do buraco financeiro deste pedacinho de terra já tem barbas suficientes para perceber que há coisas que dificilmente mudam. A 'solução' parece ser esta: de soluço em soluço até à dissolução final.