Na preparação da época desportiva e particularmente na constituição dos planteis, os treinadores de futebol procuram jogadores que se possam identificar com a sua filosofia de jogo. Se essas escolhas recaírem em atletas com quem já tenham trabalhado, a sua integração na nova estrutura fica muito facilitada. A ligação permanente aos dirigentes e empresários que representam os jogadores, é cada vez mais, um fenómeno do futebol actual. Na elaboração do relatório de aquisição de jogadores os treinadores deverão equacionar a sua dimensão financeira, deste modo, evitando sugerir jogadores com valor de mercado desenquadrado com o orçamento do clube, mesmo que o relatório proponha diversas alternativas de jogadores, por posição. Analisar os valores das transacções dos jogadores poderá ser uma acção incluída na área financeira do clube, exercendo por isso, indirectamente funções de gestão (manager). O treinador através da realização de uma base de dados direccionada para aspectos técnicos, tácticos e humanos dos jogadores, deverá ter definido um perfil dos atletas com os quais gostaria de trabalhar. Aos treinadores pedem-se resultados desportivos, e ao mesmo tempo a aposta em jogadores jovens com grande margem de progressão. Para que estes objectivos se tornem mais eficazes é cada vez mais frequente a proximidade dos treinadores com os poderes de decisão dos clubes (presidentes). Se dificilmente haverá, treinadores sem empresário, é normal que todos os jogadores acima dos 16 anos tenham o seu representante. O futebol de alta competição é neste particular um forte negócio com muitos parceiros que não podem ser menosprezados. Não esqueçamos ainda o relacionamento, por vezes difícil, com os média e a sua enorme influência na carreira dos treinadores. Muitas são as situações em que o treinador é chamado a intervir em áreas que ultrapassam a sua vertente técnica. Quem gere e define os limites de intervenção do treinador? Se estas situações acontecem no futebol profissional, então os cursos de formação deverão ser mais abrangentes, com formações complementares, para que os treinadores sejam cada vez mais competentes. Um código de conduta adaptado à situação actual, é cada vez mais um instrumento que se deseja para uma melhor ética dos treinadores de futebol.
Eduardinho, Treinador