Portugal, apesar de ter a necessidade de buscar novas e criativas soluções, prefere, muitas vezes, deter-se em fait divers. Agora a grande questão nacional parece ser "sim ou não aumentar os impostos aos mais ricos". Mais uma vez a agulha está errada. O problema de Portugal não é ter poucos nem baixos impostos. Aliás nunca se angariou tanto dinheiro em impostos como agora (apesar da crise, o que não deixa de ser caricato e lamentável). Temos, aliás, uma carga fiscal "pornográfica", porque é injusta e elevadíssima. O que Portugal precisa é de criar riqueza. É de mais ricos e não de mais pobres. O que devemos pedir aos mais ricos é que criem mais empresas; criem mais empregos. Coisas que o Estado já não pode, naturalmente, fazer. Portugal deve criar condições para que os que têm lucros e riquezas invistam essas riquezas e esses lucros no país. É isso que se deve pedir aos mais ricos. Deve-se fazer tudo por tudo para que mantenham o seu dinheiro em Portugal e que não o transfiram para outros países onde os impostos são mais baixos. Com medidas demagógicas - quiça de pura inveja - se aumentarmos demagogicamente os impostos àqueles que mais têm, naturalmente que vão transferir o seu dinheiro para fora de Portugal. É isso que queremos? Um país que precisa de capital, de mais emprego, de mais empresas, de mais riqueza, deve saber - no entanto sem qualquer subserviencia (!) - atrair riqueza e não afastá-la. Como é evidente, os que mais têm devem pagar mais impostos. É obvio! Trata-se de justiça fiscal. Se tal está a falhar pois então que se corrija. Mas sem injustiças. Sem exageros. Sem demagogia. Até podemos pensar em medidas que exijam o reinvestimento obrigatório de parte dos lucros. Agora isso não se deve traduzir numa perseguição àqueles que mais têm. Este tipo de fait divers corre o risco de distrair os portugueses daquilo que devemos estar atentos e exigentes: não é anunciar mais impostos mas anunciar os tais "grandes cortes" no Estado. O nosso problema não é o Estado receber pouco. Nem dos ricos nem dos pobres. O problema é o Estado gastar muito e mal. Dinheiro que é dos ricos mas principalmente dos mais pobres, onde incluo a falida classe média portuguesa.
Paulo Neves