Numa altura em que é por demais evidente a escassez do crédito a PME's, o Governo Regional multiplica as iniciativas conducentes a aliviar esta importante restrição à actividade económica. Nalguns casos estamos perante medidas com alguma eficácia (linhas de crédito bonificado e sistemas de incentivo). Contudo, independentemente das medidas avulsas que vão sendo tomadas, vale a pena perceber que estamos perante um problema estrutural profundo e de carácter duradouro. Conjugado com a sucessiva diminuição do poder de compra das famílias portuguesas e consequente diminuição do crescimento económico e posteriores reflexos nas rentabilidades das empresas sentimos um abrandamento do fôlego económico regional. O preço do investimento depende do custo do risco, do custo do dinheiro e do custo de todos os outros factores utilizados no serviço prestado. O risco acaba por ter dois impactos: um relativo à perda potencial propriamente dita e outro relativo à cobertura da mesma. Infelizmente, conjugou-se à nossa volta um conjunto de factores que irão agravar os determinantes do preço e a escassez do crédito. Entendamos ainda que o preço do investimento não é só das instituições financeiras, mas de todos os potenciais investidores na economia regional, sejam de natureza particular e / ou institucional. Mantenho ainda que é fundamental dar tempo às empresas para poderem se adaptar a estas contingências financeiras, não podendo esperar que em curto prazo consigam fazer cumprir as suas obrigações das quais tinham a expectativa de se vencerem a médio / longo prazo. Principalmente em períodos de contracção económica. Volto a defender a tese que precisamos de nos diferenciar em sectores em que possamos ser competitivos dadas as contingências geográficas da RAM (turismo, tecnológicas, serviços) para aumentar a rentabilidade dos nossos investimentos. Precisamos de ser capazes de competir em mercados globais para não sermos reféns dos ciclos económicos regionais. As notícias da ZFM não abonam para o aumento da atractividade da Região.

Cláudio Ribeiro - Economista