1 - O presidente da Câmara Municipal do Funchal, militante e ex-dirigente do PSD-M, vai participar nas jornadas parlamentares do CDS. Num regime democrático normal, este facto nem deveria merecer mais do que uma nota simples e de rodapé de página. Numa democracia adulta, o relacionamento entre partidos é civilizado, mantendo as distânias ideológicas e de programa, mas com momentos de colaboração e de partilha de opiniões. Não é isso que se vive nesta terra, onde a definição de democracia é mais vaga.

Miguel Albuquerque aceitou o convite do CDS e criou um 'caso' na política regional. Primeiro no seu partido, muito pouco (nada) habituado a este tipo de atitudes civilizadas, mas também na oposição. Ao ponto de haver quem conteste esta colaboração, quando o seu cabeça-de-lista foi dos primeiros a aceitar um convite semelhante e do mesmo partido.

A pouco mais de um mês das eleições, este episódio nem deverá ter grande influência, mas ninguém terá dúvidas de que, à luz do 'nosso' modelo de democracia, terá consequências políticos na futuro.

2 - Uma rapariga madeirense venceu um concurso de misses nacional e vai representar Portugal na corrida ao título de Miss Mundo. Independentemente das considerações em torno destes concursos e da opinião de cada um sobre este género de espectáculo, o certo é que ganhou. Uma vitória que não deveria merecer mais comentários além de um desejo de boa sorte,mas que tem um pormenor curioso: a Miss Portugal ficou em segundo lugar no concurso regional. Sim, isso mesmo, perdeu para outra, certamente muito bonita, mas que não vai concorrer a Miss Mundo. Pior, a Vice-Miss Madeira (o título é outro) concorreu... por Castelo Branco.

Este parece mais um exemplo de que esta terra, quando toca a votar, seja para misses ou para outra coisa qualquer, tem as suas particularidades. Muitas vezes, é como aquele soldado que era o único, em todo o Batalhão, a marchar com o passo certo.