Por definição não gosto desta cultura do secretismo, pois não se sabe bem para o que servem, andam à solta, e quando apanhados com as calças na mão saem-se com aquele chavão: é Segredo de Estado! A Cultura das Secretas em Portugal. Xiuuuuu!!! Não se pode falar, nem muito menos escrever. Mas como o assunto não sai das páginas dos jornais deixou de ser secreto, é de todos nós. Por definição não gosto desta cultura do secretismo, pois não se sabe bem para o que servem, andam à solta, e quando apanhados com as calças na mão saem-se com aquele chavão: é Segredo de Estado! Isto deve dar um jeitão. Já imaginaram quantos de nós a nos metermos na vida alheia e depois rotular-mos as nossas vis façanhas com um belo Segredo de Estado, isto faz de quase todas as portuguesas e portugueses potenciais agentes secretos sempre em serviço. Bom, mas existem aqueles que são um pouco mais treinados do que nós, têm uma hierarquia bem definida, ocupam postos de trabalho, têm missões a cumprir. E parece-me que a mais importante é fazer com que os Serviços Secretos sobrevivam tal como estão: fechados sobre si mesmos, sem auditorias, sem fiscalizações, sem responder às mais altas instâncias, uma espécie de redoma que ninguém entra nem sai sem fazer barulho, e acima de tudo ninguém questiona. Quando surge um incauto a questionar, como por exemplo, um jornalista no cumprimento do seu dever de informar a população portuguesa, a máquina secreta começa a funcionar, com os incríveis meios que têm ao dispor têm alegadamente acesso aos registos telefónicos do jornalista, desculpem, a lista de compras, para descobrirem a sua fonte no artigo sobre as Secretas Portuguesas. Colocam a Democracia em risco. Mais do que qualquer tendência de se resguardarem, o que está em conta é o pleno funcionamento democrático que os jornais são um veiculo privilegiado. E agora, é explicado ao comum do português que mesmo aquilo que a secreta portuguesa conseguiu de forma ilegal pode ser justificada com a preservação da segurança interna e externa e entrar no campo do segredo nacional. Ora , os nossos agentes não têm aquelas missões fantásticas tipo 0007 para ocuparem a vidinha , em vez de andarem a escutar os nossos jornalistas???
Raquel Fraga - Historiadora de Arte