Maria Cristina de Freitas Gonçalves A implementação do Plano de Urbanização da Frente Mar Campo de Baixo/Ponta da Calheta implicaria a execução e ou ampliação de infra-estruturas públicas, nomeadamente respeitantes ao abastecimento de água e à rede viária, que exigiriam disponibilidades financeiras que a região, na situação em que se encontra, poderá ter dificuldade em arranjar. De acordo com o parecer da IGA ao referido plano, "será necessário realizar investimentos na ampliação da capacidade da Central Dessalinizadora", "situação que impõe a construção de novas galerias de captação de água salgada e à instalação de novas unidades de dessalinização", bem como ampliar a ETAR da Ponta, o que "obrigaria a um investimento por parte da IGA estimado em 6.500.000 € não previsto no contrato de concessão celebrado entre a Região e a IGA". Sendo que "a IGA apenas estará em condições de realizar os referidos investimentos de ampliação das suas infra-estruturas caso os tarifários actuais sofram um incremento em termos médios de cerca de 84% … ou, em alternativa, a subsidiação da actividade mediante mecanismo compensatório…" Relativamente à rede viária, o parecer da "Estradas da Madeira" considera "imprescindível a construção da Via Panorâmica" e estima o seu custo em cerca de 16 milhões de Euros. A "malha urbana" interior do plano de urbanização "significará um investimento de cerca de 7 milhões de Euros". Sendo que "nesta estimativa não estão incluídas outras infra-estruturas de interesse público tais como água, electricidade, telefones, TV cabo, etc." Fazendo as contas, já lá vão 29,5 milhões de Euros, e ainda não está tudo no rol! Um investimento para o qual será necessário arranjar financiamento e que tem duvidosas garantias de retorno para a economia, mesmo a longo prazo, pois não existem perspectivas de que haja um crescimento, quer turístico, quer imobiliário, que satisfaça tamanha oferta, para mais numa época difícil com tendência para piorar. É uma estratégia fora de prazo - urbanizar para um mercado que já era, para acolher um turista que não virá! Virão os que vão ficar sem emprego? Os que vão sentir o agravamento de impostos e aumento do custo de vida? Os que já estão endividados? Os que enjoam obras e resorts fantasmas? Compreendo que quem tem muito capital e receie perdê-lo no sistema financeiro possa ser tentado a investir, mas fazê-lo num empreendimento sem mercado, e por conseguinte sem retorno, é enterrá-lo na areia sem o poder, depois, desenterrar!