Estou a viver pelo segundo ano consecutivo a experiência prática do tão famoso período do Ramadão. Já é mundialmente conhecida a influência desta época no mundo Muçulmano, alterando consideravelmente o dia a dia destes. Curioso foi constatar a forma como o Futebol Profissional se "encaixou" neste período, não condicionando de forma alguma o total envolvimento dos seus Profissionais nas rotinas impostas pela religião. A equipa onde trabalho (Al Qadisiyah) encontra-se em estágio de pré temporada numa região de altitude considerável, onde as temperaturas menos elevadas facilitam o rendimento dos atletas no treino/jogo. As características desta localidade acaba por atrair vários Clubes, que aproveitam para participar num competitivo torneio (de dois grupos) envolvendo também equipas estrangeiras, provenientes de outros países do Golfo Pérsico. Os treinos e mesmo os jogos do Torneio, realizam-se sempre depois das 22h00 e com alguma frequência após a meia noite ou mesmo uma da madrugada. Durante o dia observa-se "um recolhimento" quase total, para às 19h00 se dar a primeira (e bem servida) refeição do dia. Mais tarde, no regresso dos treinos ou jogos dá-se a segunda e ultima refeição a anteceder "o jejum", a qual já foi servida (no caso da nossa equipa) às 3h30 da madrugada. Também são comuns as saídas em grupos ou isoladas de atletas ou restante Staff com destino a Meca, regressando a tempo do cumprimento das sobreviventes rotinas, impostas pelo profissionalismo face ao domínio dos hábitos religiosos. Enfim, um mês especial ao qual todos os estrangeiros se adaptam, observando-se naturalmente um maior à vontade naqueles que já trabalham nestes Países há vários anos, e dos quais destaco um amigo que, com enorme satisfação aqui reencontrei, bem conhecido dos adeptos verde rubros, o Amaral antigo Guarda redes do meu Marítimo.
João Luís - Treinador