Desde há muito que nos habituámos a ouvir críticas e dedos em riste, sobretudo no Continente, relacionados com a dívida contraída pela Madeira. Sempre lidámos bem com isso, de consciência tranquila, porque os recursos eram 'esbanjados' em obras úteis e necessárias. Ao ponto de Jardim a reclamar verbas em Lisboa transformar-se num verdadeiro hino à criatividade e à capacidade de argumentação. Os anos passaram, as obras foram sendo feitas e o orgulho pela nossa terra cresceu desmesuradamente. Com a satisfação das suas necessidades básicas, o madeirense viu também crescer uma série de interesses que se colaram ao poder, anos a fio. Satisfeitas as grandes prioridades e ultrapassado o atraso secular no arquipélago, a 'máquina laranja' precisou de continuar a ser alimentada, como se das primeiras prioridades se tratasse. Nasceram, assim, as primeiras 'derrapagens'. Cantando e rindo, derrapámos para obras megalómanas, fúteis, até desnecessárias; derrapámos para caprichos e vaidades que enchiam egos e avolumavam receitas das empresas do regime, geridas pelas pessoas que mandam no regime. A meio da última década, ainda houve quem tentasse travar a euforia e o regabofe. O presidente cedeu, os lobbies da construção impuseram-se e as cavalgadas prosseguiram. Hoje é o que se sabe, fruto de alguns azares, mas sobretudo de muitas azelhices. E é assim que chegamos às outras 'derrapagens', as financeiras, que nos vão custar os olhos da cara, os nossos e os dos nossos filhos, para além de já estarmos a ser o alvo da chacota nacional. Apesar de tudo, não se vislumbra qualquer intenção de travar ou seleccionar criteriosamente as opções públicas; enquanto que nos outros lados se equacionam e redefinem prioridades, aqui a ordem é avançar a todo o gás, mesmo sem dinheiro nem financiamento. Devemos estar noutro país, a crise não é nada connosco. Há eleições dentro de dias e o povo gosta de se enganar. Miguel Albuquerque, Presidente da Câmara do Funchal Focado na única mola impulsionadora da economia da Madeira - o Turismo - soube auscultar quem percebe do assunto e materializou um Plano Estratégico com metas e acções a desenvolver. Gerar dinheiro requer começar pelas ideias. José António Castro, Presidente da ACIPS Dentro das limitações da actual conjuntura, o dirigente da ACIPS concretizou a tradicional feira no Porto Santo, que já é cartaz na ilha. Para além da 'Expo Porto Santo', é responsável por outras acções de dinamização da economia local. Jorge Romeira, Presidente da Câmara S. Vicente Deveria destacar-se pelo notável cartaz popular que são as festas de São Vicente. Mas optou por protagonizar uma deselegância a uma munícipe, jornalista e escritora, a troco da simpatia política do 'chefe'. Espere pela retribuição. Sentado. António Candelária, Ex-Dirigente do PSD-Madeira Uma vez que o partido a que foi leal não se manifesta, seria conveniente que surgisse de viva voz a desfazer eventuais equívocos ou insinuações. Se não o fizer, estará a dar razão às suspeitas e a aumentar os contornos deste filme... João Cunha e Silva, Vice-Presidente do G. R. Protagonizou uma semana repleta de anúncios e medidas que, se se concretizarem, serão autênticos balões de oxigénio em diversos sectores. Linhas de crédito, construção de hotéis, aldeamento turístico, parque eólico. Há crise?
Agostinho Silva, Subdirector