As autonomias nunca foram pacíficas em muitos dos sectores da sociedade portuguesa. Essa atitude, que radica numa concepção centralista do Estado e a laivos de uma certa conotação colonialista, que, no caso das regiões insulares portuguesas, não tem sustentação histórica, vai ao ponto da recusa de qualquer descentralização a partir do Terreiro do Paço, mesmo para as regiões do território continental do nosso País. A verdade é que, nos últimos tempos, o sentimento anti-autonomista começa a ganhar contornos preocupantes e a ter guarida em sectores, que, à partida, eram insuspeitos de o ser. Essa aversão às autonomias ganha proporções muito particulares nestes tempos em que os recursos escasseiam. Há já hoje quem, sem o dizer explicitamente, queira colocar em causa o fundamento histórico das autonomias, cujo percurso secular é quase coevo ao início da instalação, nas ilhas, de comunidades portuguesas, que logo foram construindo a sua identidade própria no seio da pátria comum. A comunidade nacional tem de entender e ser profundamente solidária com a importância das autonomias e da relevância dos territórios insulares portugueses para a afirmação geoestratégica do País no contexto europeu e internacional mais vasto. É a hora de os deputados insulares assumirem o nobre desafio de fazer com que a nação entenda, cada vez mais, as autonomias como um factor de coesão nacional. Neste sentido, seria importante que se organizasse na capital, sem excluir outras cidades e regiões, um conjunto de encontros de debate e reflexão sobre as questões da Autonomia, que se poderiam designar por Conferências Autonómicas.
Rui Caetano, Vice' do PS e deptuda na AR