Nos tempos que correm, a aplicação dos dinheiros públicos tem que ser ainda mais criteriosa, por essa razão as entidades exibem regulamentos de apoio ao desporto baseados em critérios pré definidos. A formalização desses acordos através da celebração dum contrato programa deveria ser a garantia para que os intervenientes desenvolvessem a sua actividade sabendo com o quê contar. O Estado via-se livre duma obrigação constitucional e os clubes desenvolviam a sua função social pagando os treinadores, atletas, e toda a logística que as deslocações, viagens e competições englobam. Infelizmente nos últimos tempos não há dinheiro para nada(!), ninguém se entende e os agentes envolvidos no desporto vão perdendo condições de trabalho no movimento associativo regional. Há problemas sociais devido aos atrasos de compensações financeiras e projectos já sem sentido com equipas regionais sem argumentos e esvaziadas de atletas competentes. Muitos desses atletas vivem iludidos por uns euros virtuais e abdicam da sua formação profissional (escola ou trabalho). Os pais deviam orientá-los sabendo que o desporto, assim como outras actividades extracurriculares, promove a educação e complementa a escola mas que não pode ser o único caminho para uma actividade futura. Este Desporto que já foi uma bandeira como combate a problemas sociais, agora parece esquecido. Parece que andam a brincar com um assunto sério mas os passos atrás podem ser irreversíveis.

Patrício Lopes, Treinador de voleibol