Ricardo Vieira O episódio no dia da Padroeira, Nossa Senhora do Monte, merece uma reflexão. É que para muitos, espantosamente, o condenável da situação não está nos que foram directamente causadores e nos seus comportamentos, mas no Bispo da Diocese. Já fui, algumas vezes, à celebração eucarística no Monte, como vereador e sei que no final é usual os convidados se agregarem na sacristia à espera da saída procissão subsequente. Os que têm cargos políticos habitualmente agrupam-se num canto. Os sacerdotes e o Bispo retiram-se para prepararem a procissão. Àquele grupo de políticos é usual aproximarem-se jornalistas ávidos de respostas e de conversas picantes que lhes agucem a vontade de publicar. Reconheçamos que a sacristia não é local próprio para entrevistas a políticos convidados. Reconheçamos que esse hábito de se introduzir na sacristia e de se aproximar de quem acaba de assistir a uma cerimónia religiosa, para lhe fazer perguntas sobre tudo menos da festa em si, não é forma adequada e se calhar até pouco educado. Mas o mais curioso é que depois de se introduzirem nas instalações da igreja, dar azo e assistir a lamentáveis acontecimentos e a disparatadas palavras de quem tinha o dever de se conter - que, esclareça-se, condeno veemente - vir culpar quem não assistiu nem participou. Para mim o único defeito dos párocos foi não proibir de estarem na sacristia quem apenas procura avidamente a notícia ou a resposta totalmente despropositada da própria cerimónia religiosa. Com verdade devia ser dito aos leitores do Diário se o Sr. Bispo assistiu a essa troca de palavras, se algum dos párocos estava em condições de ter ouvido a descabelada "troca de galhardetes", se se pode imputar qualquer responsabilidade à Diocese pelo que aconteceu. Já agora, ninguém aí sabe que é a Paróquia que gere as instalações das suas igrejas e não propriamente a Diocese…. Infelizmente fica-me a ideia de que o episódio fez esquecer o essencial da mensagem do Sr. Bispo no sentido de sublinhar os valores tão importantes para os dias de hoje. Falava da necessidade de introduzir uma "prática habitual da verdade e da justiça, nas relações entre as pessoas". Será que quem estava na sacristia naquele dia apercebeu-se bem do sentido destas palavras? Para muitos não importa onde acerte a bala, o importante é dispará-la. E se acertar num transeunte que nada teve a ver com o assunto, como é o Bispo da Diocese, melhor ainda, porque tudo serve a causa ideológica fundamental que servem ou seja um primário anti-clericalismo.