O Plano de Urbanização da Frente Mar Campo de Baixo-Ponta da Calheta está em discussão pública. Entre a exclusividade e a massificação, foi anunciada a opção que procura maximizar, de cada uma das tipologias de desenvolvimento, o que melhor qualifica o Porto Santo. A perspectiva parecia promissora. Surpreendeu, porém, ao apostar em tornar a ilha num Mega Resort, possibilitando a criação de unidades hoteleiras que pelo seu número, ocupação e dimensão, impactam na paisagem. Serão ilhas dentro da própria ilha, contribuindo debilmente para um desenvolvimento integrado. Só para essa zona indicam-se mais 7800 camas. Somando o que já existe ao planeado, prevê-se o total de 11500 camas. Será necessário "importar" acima de 5000 trabalhadores. Com base nesse estudo, a capacidade máxima, entre residentes fixos e flutuantes, trabalhadores e turistas, ronda as 60 mil camas! As questões surgem em catadupa: segurança, saúde, formação, integração cultural e social, acessibilidades, promoção. O esforço de preparação exigido é titânico. Para reflexão: - O que qualifica a ilha são os recursos naturais, com destaque para a praia de areia terapêutica, a par da tranquilidade e autenticidade. Esta estratégia não delapidará os factores críticos de sucesso e diferenciação? - A sazonalidade existe. Caso os hotéis encerrem na época baixa, será implementado um Plano de Valorização Profissional para a mão-de-obra? - Cogitado na 1ª fase, o acesso público à praia entre o Pestana e o Colombus foi retirado. Porquê?

Renata Sousa, Vereadora PS-Porto Santo