Ao longo dos últimos anos têm feito crer aos madeirenses, e ainda bem, que o futuro do turismo na Região tem muito a ver com boas práticas e melhores desempenhos em segmentos de oferta que valorizem o estado natural e a preservação da Natureza. Tudo bem. Ao longo dos últimos anos têm feito crer aos madeirenses que os altos índices de construção e de ocupação que encontramos em cada zona litoral das ilhas das Canárias, por exemplo, são um mau exemplo, e só ficam bem em locais que pretendem massificar o turismo, com todas as vantagens e desvantagens, que, espero, a maioria dos que me lêem bem conhece. Seguindo as estatísticas, a maior parte dos nossos leitores já esteve nas Canárias, ou conhece o que lá se passa. São práticas que não devem ser seguidas por nós, já que devemos valorizar o mais possível o estado natural e a preservação da Natureza. Tudo bem. Em sentido geral (e virtual) acho que me fiz entender. Em sentido particular (e real) quero falar do Porto Santo. Pouco, por entender que neste sítio, apenas se deve alertar os leitores, ou transmitir a mensagem que configure a nossa opinião acerca do assunto que nos motiva de cada vez que por aqui aparecemos. Pois é, quero falar do Porto Santo. Quero juntar a minha (voz) escrita à voz de muitos que também não gostam do que as entidades regionais pretendem fazer nessa ilha. Repartir o seu terreno em fatias e construir hotéis à maneira de outros destinos que, muitas vezes, temos usado como factor comparativo, para mostrar o que se não deve fazer na praia dourada madeirense. Nos últimos dias, após a colocação em discussão pública do plano de pormenor para a orla marítima, que se estende, mais ou menos, do Campo de Baixo à Calheta, só nos têm chegado indicações que contrariam toda a filosofia de desenvolvimento e expansão turística da ilha do Porto Santo, pelo menos aquela que nos últimos anos a Madeira manifestou como sendo sua bandeira. Não cabe em qualquer conceito de desenvolvimento integrado do turismo no arquipélago da Madeira, o que se pretende fazer na ilha do Porto Santo, com o aval da Câmara Municipal e do Governo Regional. Temos acompanhado o sector nos últimos anos. Sabemos as dificuldades que os empresários têm em valorizar os seus empreendimentos na ilha, as dificuldades em manter uma média de tarifas que garanta a viabilidade dos estabelecimentos hoteleiros, face à sazonalidade da ilha, as dificuldades em recrutar pessoal no Porto Santo e na Madeira para trabalhar nesses hotéis, as dificuldades em promover a ilha entre destinos concorrentes, de maior exposição mediática e com melhores acessibilidades. Por isso, não sabemos em que estudos se baseiam os autores deste projecto, nem admitimos que essa proposta esteja a ser considerada como a solução. Será que a imprevista vinda para a ilha do Porto Santo, neste Verão, de alguns fluxos turísticos, desviados de zonas inseguras do Mediterrâneo, face aos confrontos (passageiros) do início do ano condenaram esses destinos e a nossa ilha de praia dourada será a nova Caraíbas, como (inadvertidamente) um operador estrangeiro pretendeu chamá-la num golpe publicitário de mau gosto? Na verdade, não entendemos como este Plano para o Porto Santo poderá ser aprovado e implementado. Para criar riqueza? Para criar emprego? Para criar mais impostos que serão receita da Região? Para criar especulação imobiliária e descaracterizar completamente a ilha? São perguntas que aqui ficam. Terão as respostas de acordo com o que pensam as pessoas e sobretudo a sua formação, interesses e maneira de ver as questões. Penso que a solução mais aceitável para o Porto Santo está na adequação de uma oferta que valorize a procura e as condições naturais da ilha, sem mudar de forma radical as suas características demográficas, nem tão pouco permitir a sua invasão por hordas de imigrantes em busca de trabalho, ou por bandos de turistas de mochila, saco plástico e chinelos que procuram sol e praia a preços razoáveis. Nada me move contra os imigrantes, nem contra esses turistas com menores posses, mas gostaria que o Porto Santo, no futuro, tivesse outro porvir. Mesmo não sendo natural da ilha, um “defeito” que nos jogam à cara, sempre que de fora pretendemos dar alguma opinião sobre esse pedaço da Madeira, aqui deixo o alerta para reflexão. O que se pretende fazer é mau para o Porto Santo. Não será afundar a ilha, como pressupostamente o título poderá sugerir. A imagem fica para que desperte o interesse dos menos dados a leituras nestes cálidos dias de Verão. Mas, certamente, algum “vendido” a qualquer lobi ou “invejoso”, que não acerte o azimute pelos que se julgam donos da razão e da ilha, irá levar o título a peito… ao jeito de uma "batalha naval".