Frequentemente os casos de Polícia são casos de Política e as suas custas são pagas por quem nenhuma culpa deles tem! Vários casos de Polícia têm custado e vão custar caro aos cidadãos, seja em matéria de rendimentos seja no que às nossas Liberdades se referem. O caso BPN, a maior fraude financeira cometida em Portugal após o 25 de Abril, num Banco onde muitos dos seus dirigentes eram ex-governantes de governos de Cavaco Silva, já custou caro aos contribuentes e vai continuar a sair caro. Com a nacionalização do BPN o Estado gastou mais de 5 mil milhões de euros dos nossos impostos para recapitalizar esse banco falido pelas falcatruas. O défice do Estado aumentou acelerando o caminho para as medidas de austeridade que a maioria dos portugueses que vivem do seu trabalho ou das suas pensões estão a suportar. Agora, na sua última visita, a Troika descobre que havia mais um buraco nas contas públicas no valor de 579 milhões de euros - 320 milhões do BPN e 277 milhões das contas da Madeira. O Governo da côr dos responsáveis por estes buracos não faz mais nada - "assalta" o Fundo de Pensões dos Trabalhadores Bancários indo tirar daí 600 milhões de euros e acelerando a sua integração na Segurança Social... Paga quem não tem culpa nem do caso BPN nem da gestão na Madeira... E o julgamento criminal do caso BPN continua a marcar passo... E na Madeira outros casos de Polícia continuam a crescer sem que as autoridades competentes façam aplicar a lei com todo o rigor - se fosse um cidadão normal, despido da farda laranja a fazê-lo, já tinham actuado, mas como não é... Mija-se para um carro da PSP - só se actua depois de muita indignação pública... Ameaça-se o representante da CNE, ameaça essa susceptível de procedimento judicial - nada acontece da parte de quem de direito... Desencandea-se uma campanha de perseguição a Òrgãos de Comunicação Social, com particular destaque ao DN e seus Jornalistas, chegando-se ao cúmulo de querer expulsar uma Jornalista da Sacristia duma Igreja e nada acontece... Em que Terra estamos? Num qualquer país onde as liberdades não são respeitadas? Que faz o Presidente da República? Como age o Ministério Público que pode tomar iniciativa perante crimes públicos? Tudo isto continua, fazendo com que estas atitudes se possam propagar na Sociedade graças à impunidade que recebem. E depois não se grite contra o crescer da violência, pois o exemplo vem de cima... Tudo isto também serve para desviar as atenções do debate que se impõe fazer sobre o Estado actual da Autonomia. Sobre uma Autonomia que nos seus primeiros anos fez alguma obra positiva para consolidar apoio popular, mas que cedo foi feita instrumento dum grupo que se substituíu aos detentores do Poder do antigamente. E que usam e abusam da Autonomia para o seu desenvolvimento e dos seus grupos económicos, levando a Autonomia ao endividamento em mais de 7 mil milhões de euros, fazendo Obras enquanto instrumento de lucro das suas empresas e de recolha de votos e não de desenvolvimento real - a marina do Lugar de Baixo que já vai em mais de 105 milhões de euros ocupa o 1º lugar do pódio das inutilidades, deixando arruinar a economia real para apostar na economia virtual dos offshores mesmo que isso levasse à perda de subsídios comunitários, provocando um enorme crescer do desemprego que já ronda os 20.000 e da miséria sem assumir as suas responsabilidades. O Governo dum País e duma Região só passarão a ter sentido quando os seus Governantes passarem a ser responsabilizados pelos seus actos mesmo do ponto de vista criminal. Não é admissível que eles levem um País e uma Região para a ruína e depois quem não tem a culpa das decisões tomadas é que pague os custos dessas dívidas e irresponsabilidades com menos salários, pensões, prestações sociais, cortes do subsídio de Natal, medicamentos mais caros, electricidade e gás com IVA a passar de 6% para 23%, etc.. E na RAM teremos transportes mais caros depois das regionais na RAM, para além do resto. Com a agravante de não se exigir nenhum esforço aos mais ricos, que viram as suas fortunas aumentarem em 2011 17,8% em comparação a igual período de 2010! Isto é só roubar a quem trabalha para dar a quem mais tem!
Paulo Martins