Estes tempos são, preocupantemente, de absurdo. As notícias de comportamentos e palavras de intolerância, violência e falta de inteligência assaltam-nos como se tivéssemos, todos, entrado num filme de Fellini. Quem detém o poder, num quadro de total impunidade moral, ataca e humilha quem, com a legitimidade ética da razão, põe em causa as suas acções. Não creio, infelizmente, que estes tempos sejam diferentes de outros em que caíram grandes impérios que se viam como invencíveis, os contextos é que mudaram e as lições da História ficaram por aprender. As cenas das últimas semanas são, atrozmente, semelhantes às anedotas da loucura dos últimos imperadores romanos. A demência dos gestos e a violência das palavras só provam que o "império jardinista" agoniza, a desorientação e o descontrolo dominam os seus mentores. Inventam-se bodes expiatórios para justificar os estrondosos falhanços de um projecto que é, e sempre foi, apenas o do poder pelo poder. Há o objectivo irracional de, com estas atitudes prepotentes, dar lições de medo, mas a velha receita acabará por se esgotar porque agora a única coisa que mostra é o ridículo de quem já não tem capacidade para manter uma governação que usou e abusou da boa fé do povo e garantiu o enriquecimento da elite da Madeira Nova. Não tenho ilusões quanto ao tempo que isto tudo levará a desmoronar-se porque na História, as conjunturas alteram-se num tempo que nem sempre cumpre os ideais de uma geração mas acredito, sinceramente, que um dia os conceitos de Liberdade, Democracia, Cidadania e Responsabilidade Ética terão pleno sentido na Madeira. Entretanto, resta-nos a missão de participar na construção de uma Madeira em que os pais e as mães não vejam o futuro dos filhos com apreensão, em que os idosos não fiquem humilhados perante uma existência de dificuldades e solidão, em que os jovens cumpram os seus sonhos, em que a pobreza e a miséria sejam palavras, apenas isso.

Isabel Cardoso - Professora