J.G.B. Ultimamente, temos assistido ao descalabro dos mais elementares valores sobre aquilo que é considerado correcto ou incorrecto, começando pelos insultos aos jornalistas do diário de notícias logo antes da festa laranja, na herdade da fundação psd, onde um jornalista foi "escorraçado" sob o pretexto de encontrar-se em propriedade privada, até à célebre "mijadela" do presidente da jsd-m num carro patrulha da polícia. Nunca antes se assistiu a tanta perseguição e insultos sobre quem ouse dar uma opinião divergente em relação à "filosofia" do actual regime que domina este pedacinho de terra; vive-se para um partido e quem não está de acordo com ele é chamado de comunista ou revolucionário; afinal, para quem se autoproclama social-democrata, o que é a democracia? E o que foi o 25 de Abril? Por acaso não foi uma revolução? Estamos a viver, talvez, na única região de Portugal onde é proibido ter uma ideologia política que não seja psd, onde todos aqueles que pensam de maneira diferente devem ser eliminados e, pelo sucedido agora com a jornalista Marta Caires, também excomungados. Ser expulso de uma alegada propriedade privada até pode ser compreensível, mas da casa de Deus é inadmissível. É por isso mesmo que cada vez é menor o número de pessoas que vão à missa; poderão ir ao arraial, mas arraial não é igual a missa. Quando convido alguém à minha casa quem nela manda sou eu e não os meus convidados e, por isso, se alguém tiver de tomar uma determinada decisão ou atitude esse alguém sou eu e não aqueles a quem eu convidei; se alguém se portou mal sou eu a chamar-lhe a atenção e, pelas suas ideologias ou convicções políticas, os inimigos dos meus amigos não têm de ser obrigatoriamente meus inimigos, nem permito que ninguém sem a minha autorização os expulse do meu lar. Perante aquilo que aconteceu na sacristia da igreja do Monte, com a passividade de quem devia ter intercedido, só demonstra o quanto a igreja madeirense está subjugada ao actual regime político laranja, com o qual nem todos os madeirenses se revêem e identificam. Se a igreja é a casa de Deus na terra e a ela todos estão convidados, então porque é que aquele que representava o dono da casa permitiu que um outro convidado insultasse um terceiro e tentasse expulsa-lo daquele lugar? Certamente que não era representante de Deus, mas apenas um impostor; oxalá tivesse lembrado a frase de Jesus Cristo: "a Deus o que é de Deus e a César o que é de César" e não desse azo a que alguém diga que a igreja e a política andam de braço dado, que são farinha do mesmo saco.