Noventa e nove por cento da oferta cultural de Verão na nossa ilha surge associada a um estilo de vida que aparentemente leva os seus frequentadores a se iludirem, momentaneamente, sobre a difícil realidade em que vivemos. Fruto ou não da forma com a qual a maioria da juventude se identifica, esta ocupação dos tempos livres leva a que parte do dia estejam literalmente a curar-se de sucessivas ressacas resultantes da "cultura nocturna". Levada por esta onda e não alheia à sua promoção está a própria comunicação social que além de apoiar com a publicidade estes mega eventos, acaba por opinar positivamente em largos artigos um tipo de oferta fútil e que além de apelar aos tradicionais cinco sentidos vai muito mais além destes, onde inclusivamente e com mais frequência, a introdução do consumo de drogas ditas "legais" em conjunto com o álcool e os pesados ambientes de música alta fazem dispultar nos jovens, alucinantes sensações, o tal sexto sentido. À margem desta oferta e de forma mais consistente a cultura na ilha felizmente ainda tem muita diversidade e de boa qualidade que perdura no tempo. No entanto, necessitamos urgentemente não só de incutir mais hábitos culturais saudáveis na população, mas e também (in)formar alguma da nossa comunicação social para que no mínimo possa dosear correctamente aos seus públicos a qualidade dos diferentes acontecimentos culturais.
Luís Guilherme de Nóbrega - Professor