Hoje exige-se a adaptação a diferentes contextos, o empreendedorismo, o ser pró-activo e não meramente reactivo, etc. Contudo, a grande maioria das nossas escolas, clubes, universidades… continua a preparar para o passado. Transmite-se em vez de transformar, formata-se em vez de formar. A reprodução dos conhecimentos suplanta o domínio de ferramentas e metodologias. Infelizmente é comum treinadores dizerem "isto aqui não é para inventar, pensas que és o Ronaldo?", ou professores explicarem aos pais, "até sabe a matéria mas depois na hora da verdade (teste/exame) não demonstra". Mas afinal sabe ou não sabe? O que é saber? Pode-se ou não "inventar", leia-se procurar novos caminhos, novas formas de resolver os problemas? Será que "tudo se vê na hora da verdade através do resultado da competição ou do exame", como dizem alguns "doutos"? Concordamos que tudo deve ser avaliado, até a avaliação. Mas será que os instrumentos que estamos a utilizar para avaliar, como as competições desportivas e os actuais exames, medem o que interessa? Veja-se por exemplo: - As competições (e os exames) regem-se por escalões etários onde jovens com diferentes tipos de maturação têm de competir; - A alta competição é distorcida por abissais diferenças entre capitais investidos (não apenas financeiros) e por jogadas de bastidores; - Os exames têm perguntas e critérios de correcção que exigem a mera reprodução de conhecimentos e etapas que têm de ser religiosamente cumpridas senão, mesmo que a resposta esteja certa, são obrigatoriamente descontados pontos. Se continuarmos a assobiar para o lado e a preparar para o passado, estaremos a criar desadaptados sociais. Alguns até poderão vir a ter sucesso … no roubo por esticão … ou mesmo a organizar tumultos como em Inglaterra. Diríamos, com a ligeireza do tempo de férias, que apenas "estão a dar azo à criatividade e ao empreendedorismo" que lhes foi negado durante a sua formação, perdão formatação.
Hélder Lopes - Professor universitário