A Madeira não pode - nem deve - ser um destino de massas. Não tenho dúvidas que esta afirmação seja consensual. Não podemos competir com mercados como as Canárias nem o Algarve, mas também não devemos, parece-me, ter essa ambição. A nossa ambição deverá, na minha perspectiva, limitar-se a concorrer com mercados menores em dimensão, mas com um muito maior valor acrescentado: Ibiza, Malta ou a Córsega. Para isto, teremos que criar motivos de atracção para os mercados que nos interessam mais. Mas isso nem é muito difícil: os mercados que nos procuravam não querem mais do que já temos: um povo hospitaleiro e uma natureza fantástica. Querem, no entanto, que deixemos de estragar o que já existe. Vamos parar de cimentar a Madeira, e vamos investir naquilo que realmente nos distingue. Vamos proteger a nossa floresta, e as nossas montanhas. Vamos criar condições para que sejam visitáveis, mas sem as alterar em excesso. Vamos substituir eucaliptos por loureiros; vamos fomentar o uso de transporte público ao invés da espiral estrada - estacionamento - congestionamento; vamos resistir ao que os nossos políticos apelidam de "pugresso". O destino Madeira é já um destino maturo. Temos agora de investir mais em manter o que já existe, ao invés de crescer por crescer. Porque o crescimento pelo crescimento gera preços progressivamente mais baixos. Vamos recuperar os mercados que nos visitavam: os idosos da Europa, um dos poucos mercados que a União Europeia considera terem potencial de crescimento e poder de compra ascendente.
Roberto Loja