Pedro Monteiro Antes de mais, quero dar os meus parabéns a todos os responsáveis pela iniciativa 'Hip-Hop-Bus'. É, sem dúvida, uma montra privilegiada de novos talentos, contribuindo para a difusão cultural e o enriquecimento artístico de todos os jovens [de corpo e de alma]. Infelizmente, só consegui estar presente a partir do momento em que foram revelados os vencedores do concurso, mas fiquei com a sensação que os concorrentes deste ano duplicaram face aos do ano passado. Tal adesão revela o entusiasmo com que os jovens encararam o desafio, pondo de lado a timidez, partilhando connosco a sua mensagem e a sua arte. Aguardei com enorme expectativa os cabeças-de-cartaz, ficando perplexo com o nível performativo do Filipe Santos (aka Fubu Beatbox) que nos trouxe o que de melhor se faz actualmente no domínio do vocal beatbox… no mundo! Quase nem dei pelo tempo passar até ser brindado com um concerto magnífico de Ângelo César (aka Boss AC) e a sua virtuosa banda [na qual me atrevo a destacar a voz soberba de AnTónio Cruz (aka TC)]. Decorridos dois terços do concerto, um bando de jovens alcoolizados apoderou-se da zona frontal da assistência, junto ao palco. Com um copo de imperial numa mão e um cigarro na outra, ensaiavam movimentos descompassados, empurrando e pisando quem estava em seu redor. Quem se viu naquela situação de aperto, agiu reflexivamente [temendo desacatos] e foi-se embora. Curioso é que o recinto dos espectadores [que preenchia a totalidade do pontão] se encontrava vedado por baias metálicas, cujo acesso era controlado por seguranças de uma empresa privada. Havia, inclusivamente, uma lista de objectos proibidos afixada na baia central que separava as duas entradas paralelas. Mas o mais inacreditável era o facto de existirem pontos de venda de bebidas alcoólicas no interior do recinto! Como poderiam os seguranças impedir a entrada de pessoas alcoolizadas se o álcool era fornecido no recinto do espectáculo, com total conhecimento das entidades organizadores e licenciadoras? Como puderam autorizar que se vendesse álcool a jovens que, podendo ser maiores de 18 anos, se comportam como crianças? Não podemos culpá-los por essa imaturidade, pois todos sabemos que advém de graves lacunas familiares, em termos de estrutura afectiva e educação para a cidadania. Acho que está na hora de encararmos a realidade madeirense sem tabus, assumindo que o maior flagelo desta juventude é a dependência das drogas, sobretudo o álcool [que é a mais devastadora de todas]. Terminou a 'Semana da Juventude 2011' e não vi nenhum cartaz sobre a prevenção ao consumo de drogas, em especial, bebidas alcoólicas [e/ou ao contágio do HIV… num arquipélago que sobrevive do turismo, incluindo o sexual]. Mas que oportunidade falhada para campanhas sensibilizadoras da juventude! Que tipo de gerações pretendemos colher no futuro se não apostarmos fortemente na prevenção? Se assumirmos que o álcool é uma droga, diríamos que no recinto do 'Hip Hop Bus' se vendia droga com o consentimento das entidades organizadoras oficiais… a jovens [de corpo e de alma]… e a crianças! Uma palavra de especial apreço pelo contributo da Vânia Fernandes que, ainda assim [a solo, cantando o fado, e em dueto com Boss AC], procurou dar a melhor imagem possível do povo madeirense, mas que foi ensombrada por apupos e injúrias dirigidas pelos jovens alcoolizados ao "patrão" da noite e à sua banda.