Não pude assistir, enquanto deputado municipal, á celebração do Dia do Concelho do Porto Moniz, que teve lugar a 22 de Julho passado e onde, naturalmente, se produziram os habituais discursos oficiais a lamentar a falta de dinheiro em consequência dos «cortes» da troika, ou melhor, de Lisboa. Não será demais referir que o concelho de Porto Moniz vive á custa das transferências do Estado (Lisboa) em cerca de 90% do seu orçamento o que desde logo sugere uma postura oficial mais solidária com o todo nacional. Mas, vem isto a propósito de na referida efeméride o presidente do município, Valter Correia, ter afirmado que a ocorrência de tais cortes iria «limitar a capacidade concretizadora da autarquia» para concorrer a contratos-programa do Governo regional e a eventuais fundos europeus. Ora, é sabido que mesmo sem esses cortes os contratos-programa com o Governo Regional na actual legislatura não foram cumpridos a 100% prevendo-se que na actual situação das finanças públicas regionais tal cenário irá agravar-se no futuro próximo independentemente de qualquer medida ou alteração do Governo Central. Por outro lado, para quê celebrar contratos-programa que resultaram na anterior gestão camarária em compromissos de 1.350.000€ para um Miradouro na Ribeira da Janela e de 1.650.000€ num arranjo urbanístico á volta do adro da Igreja Santa de Porto Moniz que esvaziaram os cofres da Câmara? Mas, pior ainda, porque o actual presidente da Câmara insiste em inscrever uma verba de 750.000€ para fazer um Miradouro no sítio da Pedra na estrada do Seixal se tem uma Câmara endividada? E de uma plataforma suspensa sobre a ribeira do Seixal com provável impacto ambiental e risco em caso de cheia? Será que o problema, ou o desafio do turismo no concelho de Porto Moniz se resume á instalação de Miradouros e «Largos» para «regalar a vista»? Será que a tendência crescente dos turistas para usufruírem de experiências em lugar de uma postura de puro lazer se coaduna com esta visão «inovadora» do presidente da Câmara? E será que é essa a opinião dos empresários do concelho, hoteleiros, donos de restaurantes, responsáveis de empresas de animação, entre outros? No caso, e á semelhança do Governo que o suporta, parece que o poder autárquico municipal não selecciona, não prioriza e não ouve quem não quer ouvir ou que, eventualmente, o contraria. Parece-me pois que precisamos de uma nova visão e de outras prioridades para o concelho e sua população que carece mais de trabalho e iniciativa do que de mais betão. Mas, é uma opinião.
Nuno Jardim Fernandes - Gestor