Durante o seu período de vida o ser humano tem a possibilidade de assistir a algumas modas ou ciclos que se repetem passado algum tempo, por vezes anos. Essas modas são talvez mais visíveis nuns casos do que noutros. São disso exemplo, os ciclos económicos, que a sabedoria popular define e bem com a seguinte afirmação: "depois de sete anos de fartura e vêm sete anos de miséria", as modas no vestuário entre muitas outras. Temos assistido com alguma frequência, nos diversos órgãos de comunicação social e não só, apelos e incentivos, por parte de nutricionistas e outros profissionais, a uma alimentação saudável e à utilização das chamadas dietas mediterrânicas. Esses alertas despertaram-me para o facto de também na alimentação estarmos a assistir ao virar do ciclo e a voltar aos hábitos de há alguns anos, em que, talvez mais por necessidade ou por falta de alternativas, muitas vezes perguntava a minha Mãe o que era o jantar ou o almoço e resposta mais frequente era: "é comer da fazenda". E o que era esse comer da fazenda? Nada mais, nada menos do que aquilo que a terra produzia na época. E a melhor altura para uma refeição de "comer da fazenda" é sem dúvida no fim da Primavera e no Verão. Nessa altura, podia ser por exemplo uma refeição de feijão, massarocas, pimpinelas e bringão (noutras localidades conhecido por abóbora verde), a bico de ombro ou sem conduto. Para os leitores menos familiarizados com estes termos "uma refeição sem conduto ou a bico de ombro" era quando não fazia parte da ementa a carne ou peixe, o que acontecia na maioria das vezes. Nas outras épocas do ano a ementa variava, mas sempre com base no que a terra ou a ribeira produzia (o agrião utilizado nas sopas era normalmente colhido no leito das ribeiras). No Verão a ementa era á base de comer enxuto e no inverno predominavam as sopas, de couve, de agrião, de trigo entre outras. Deve ser o que hoje chamam de alimentação vegetariana, e que se diz ser a alimentação saudável. Será que o ciclo está também a mudar neste aspecto?

Joel Freitas, Presidente da ACINM