Laíz Vieira Realmente, cada pessoa consciente tem direito a expor e a colocar em prática a sua opinião desde que fundamentada e desde que a mesma não represente o desrespeito e a dor pelo outro. Basta colocar-se no lugar do outro ou testemunhar a dor nos seus olhos. Marc Bekoff é professor de Ecologia e Biologia Evolucionária na Universidade de Colorado. É um dos maiores especialistas da emotividade no mundo animal. Ganhou vários prémios e o reconhecimento pela sua investigação científica. Escritor prolífico, publicou mais de 200 artigos e 22 livros, incluindo "A Vida Emocional dos Animais" e "Manifesto dos Animais" publicados em Portugal, pela Estrela Polar e os quais, entre outros, recomendo a sua leitura. Das suas pesquisas, Marc Bekoff demonstra não existirem quais quer dados que mostrem vantagens para os animais que são presos e condicionados nos seus movimentos, para divertimento dos humanos. Para além de eticamente deplorável, o negócio e divertimento com animais é sinónimo de abuso. Na Madeira, as iniciativas de empreendedorismo, criativas e integradoras que não acarretem destruição, ignorância, opressão e desrespeito para com as pessoas, os animais não humanos e a natureza, são naturalmente bem-vindas. A exploração e utilização de animais em espectáculos, em desportos, em actividades lúdicas ou de divertimento são um atentado aos direitos dos animais e um insulto à nossa inteligência e humanidade. Entre outras situações, tenho vindo a presenciar de forma mais regular, em várias localidades do arquipélago da Madeira, a várias apresentações de um conjunto de malabarismos com aves exóticas. Aves essas, bem distantes dos seus habitats naturais, a viverem em espaços confinados, e treinadas a movimentos estereotipados, causadores de stress, na realização de percursos em cima de pequenas bicicletas ou a cumprirem com tarefas, num intento de humanização dos seus movimentos. Qualquer pessoa, que reflicta um pouco, chegará à conclusão que as aves, os animais, seres sencientes, capazes tal como nós, de sentir dor e prazer não nasceram para contrariar aquilo que é o ritmo, as condições de vida e de liberdade que são próprias de sua espécie. É um direito que lhes é inerente, viver no seu ambiente natural e não serem utilizados, como objectos ou brinquedos, para fins mercantis ou de divertimento humano. Muitas investigações científicas e documentários já realizados, comprovam a violência sistemática a que os animais, incluindo as aves, cavalos, animais domésticos ou selvagens são submetidos para terem que realizar exercícios repetitivos e que em nada são coerentes com os seus movimentos naturais. Como cidadã que sou, tenho imensas dúvidas do carácter didáctico ou pedagógico que este tipo de eventos suscita sobre as crianças, sobre os jovens ou adultos. As alternativas de empreendedorismo, seriam por exemplo, promover roteiros ornitológicos, com caminhadas pela floresta da Madeira ou pelas orlas de água e observar as aves no seu meio natural, neste caso, as aves endémicas do Arquipélago.