Como hesitei muito sobre o que escrever para este sábado, tal é a panóplia de temas quentes desta semana, resolvi fazer um três em um.

1. A arrogância do líder da JSD

Primeiro fiquei chocado. Um dia depois continuo envergonhado. Como é possível um jovem, que parece não ter ainda ultrapassado a puberdade mental, dizer o disse depois de fazer o que fez? Como é possível este rapaz ameaçar expulsar seja quem for com aquele descaramento? Confesso que há coisas que não entendo. Já sou daqueles que dá de barato os dislates de Jardim e de Jaime Ramos. Mas não aceito que o Zé pense e aja como se tivesse o rei na barriga. Uma coisa é discordar frontalmente dos critérios do delegado da CNE, outra - bem diferente - é ameaçar "por esse senhor no meio da rua". E nem é por ser um juiz esclarecido, que respeito e admiro. É por ser uma pessoa, seja ela quem for. Outro aspecto que me incomoda nestes episódios que começam a ser frequentes, é o silêncio dos inocentes. Da gente boa e honesta que também há no PSD e que não se revê, de certeza, neste discurso rasteiro e primário. Não espero que venham para a rua com críticas públicas. Mas telefonem ao rapaz, digam-lhe baixinho para ter mais cuidado com as palavras. Que ainda é novo e que na política, como em tudo na vida, ninguém se afirma por ofender os outros. Digam-lhe isso por favor. Talvez ainda vão a tempo de o ajudar a salvar carreira política, que me parece muito comprometida, apesar do esperado apoio do chefe de todos.

2. O buraco escondido

Outra vergonha nacional. De tudo o que Portugal fez para safar as contas públicas, restam duas manchas: o desastre do BPN e o buraco escondido das contas da Madeira no valor de 277 milhões de euros. Já não é um buraco, é um túnel! Daqueles que tem apenas um sentido e construído na vertical. Alguém andou a cavar para baixo e agora vai espernear, lá no fundo, até que lhe atirem uma corda de salvação. Mais uma. Quando se pensa que a Madeira bateu no fundo, descobre-se que ainda há mais fundo para além do fundo.

3. Em Outubro é que serão elas!

Na Madeira é assim: orelhas moucas ao que diz a 'troika', aos ministros das Finanças, ao Tribunal de Contas, ao Tribunal Constitucional, ao representante da República, ao primeiro-ministro e até ao Presidente da República, sempre com medo de se meter com o único importante das ilhas. Aumento de impostos? Cá nada! Isso aqui não entra, porque temos autonomia. Corte nas despesas? Nem pensar que há eleições e com milhões fazem-se inaugurações (nem que seja de becos e paredes em tosco) e com inaugurações ganham-se eleições. Acabar com as reformas duplicadas? Nem pensar! Isso seria mexer no bolso dos madeirenses, seria um roubo, porque entre esses madeirenses sortudos estão apenas alguns dos mais importantes cá da aldeia. Limitar o regime de incompatibilidades? Não senhor! Temos autonomia suficiente para ter um jornal falido mas oferecido e espalhar alcatrão sobre alcatrão as vezes que forem necessárias. E assim, de excepção em excepção, vamos adiando a aflição. Mas nada é eterno. Tenho para mim que a partir de 10 de Outubro, vira o disco e já não vai tocar o mesmo. Vamos comer pela medida grande e a culpa, essa, já se sabe. Será do Sócrates, da Troika e talvez até do Paulo Portas que teve a ousadia de falar em despesismo numa terra poupadinha como a nossa.