Já passou algum tempo, mas uso agora este espaço para publicamente saudar todos os responsáveis pela iniciativa ON by Porto Bay realizada na zona velha da cidade. Quem durante o último ano e meio acompanhou a vida turística do destino Madeira, tem de reconhecer que existiram poucos, muito poucos, motivos para sorrir. O ON foi felizmente um deles. Da minha parte, foi também o reencontro com a zona velha da cidade. Vê-la engalanada de artistas plásticos, músicos, população informada, turistas, todos, todos juntos numa zona animada e cheia de mundo. Quando no Governo, lançámos o Allgarve, sabíamos tratar-se de iniciativa pública, mas com a ambição felizmente concretizada de estendê-la às autarquias e às empresas turísticas. Na altura, o Governo teve de liderar um processo, mobilizando entidades públicas e empresas com um único propósito: animação e eventos durante grande parte do ano complementando-os ao sol e mar no Verão e ao golfe no Inverno. Na Madeira, o ON é uma iniciativa privada que para além de promover uma centralidade turística, não representa consumo de recursos públicos. No momento actual, com a escassez de meios existente, qualquer responsável político anseia por iniciativas destas!... Ainda na zona velha da cidade, uma palavra à equipa liderada pelo João Carlos Abreu no trabalho de recuperação da Rua de Santa Maria. Bravo! O trabalho de dignificação do espaço, a pintura das portas dos prédios degradados, constituindo já hoje uma exposição permanente e a céu aberto, com lojas a funcionar e a restauração com novo entusiasmo, constituem motivo de grande satisfação. Os destinos turísticos fazem-se do surgimento destas novas centralidades, agora com um carácter mais abrangente. O objectivo que saudamos é fazer da zona velha da cidade cada vez mais motivo de passagem obrigatória. Por falar em passagem obrigatória, soube por fonte oficial, que 5000 pessoas passam por dia nas nossas levadas. Estima-se que 1000 sejam turistas. Assumo que dos mais de 800.000 turistas que visitam a Madeira, 50% fazem uma levada. Fazem-no porque lêem a história da Madeira, fazem-no porque é património mundial da UNESCO, fazem-no simplesmente porque é uma experiência única. Se tudo isto é verdade e custa a manter, por que não contribuem os turistas para esta manutenção? Imaginem 1,2,…5 euros por turista por passeio. Receita afecta exclusivamente à manutenção e segurança deste património secular responsável por milhares de visitas à Madeira. Em suma, num mundo global onde o turismo é assumido como salvaguarda da nossa vida colectiva, esgotemos a nossa capacidade de realização.
Bernardo Trindade, Deputado do PS-M