Há duas forças a dilacerarem o espírito do homem e da mulher modernos: o querer e o saber. Por um lado há um querer desmesurado alimentado pelo desejo de uma satisfação egoísta, por outro uma percepção cada vez mais clara das consequências das nossas acções e escolhas. Da falência do racional, e num gesto de perfeita subserviência à ignorância, muitos entregam-se cegamente aos desígnios do seu querer. Em consequência desta rendição, e sem olharem aos meios para concretizar seus fins, geram sofrimento. O sofrimento gera-se facilmente, desde o simples gesto de comer irresponsavelmente e fumar, onde somos nós que pagamos com a nossa saúde, até à defesa acérrima das nossas ideias, do nosso clube ou partido, recorrendo ao insulto e injúria que a todos faz sofrer, inclusivamente a mente que gerou a aversão. Que não fiquemos paralisados por estas considerações, nem elas têm esse poder, mas que saibamos reconhecer estes paradoxos em nós e em toda a sociedade e que acima de tudo estejamos atentos aos nossos actos, isto é o mínimo que podemos fazer. É que o saber, o estar consciente, encerra em si um tremendo potencial para a satisfação pessoal, muito mais gratificante e construtiva. Não fomos educados nesta matriz e fazemos uma experiência algo tímida desta maneira diferente de estar, mas é a sabedoria que deriva deste estado mais consciente que oferece a melhor oportunidade para a nossa transformação pessoal e da nossa sociedade. Esta é a minha convicção e esperança. Um saber que nos liberte da insegurança, que nos faça levantar a cabeça para olhar o vizinho nos olhos e nos torne sensíveis às necessidades dos outros, nos desperte para a frágil situação em que nos colocamos uns aos outros, aos restantes seres vivos e à própria natureza. Muitos já estão plenamente convencidos do que não querem. Existe uma vontade crescente de mudança, de tentar fazer as coisas de forma diferente a todos os níveis. A nível político o aparecimento do PAN, o Partido pelos Animais e pela Natureza, e a sua crescente popularidade é uma expressão da mudança dos tempos e das mentalidades. Hummm, talvez também exista algo para quem sabe o que quer!
Rui Almeida - Líder regional do PAN