O presidente do governo de alguns madeirenses tentou comover o seu mundo, sobretudo o que se deixou surpreender com o primeiro corte de Passos & Portas no bolo 'light' em que se transformou o salário dos portugueses. Apesar de pedinte, vício que se eterniza, admitiu que em vez de quem vende “gato por lebre” - como se houvesse compradores de banalidades, mesmo que ficcionadas -, prefere “um Governo cruel” e que diga a “verdade”.

Pode parecer cruel, mas concordamos com a tese. Quem é que não prefere um governo honesto, se é que existe!, depois de enganado décadas a fio por promessas ridículas, por promiscuidades vergonhosas, por desenvolvimento viciado, por cimentização da natureza, por humilhações públicas, por chantagens constantes e por mentiras compulsivas? Quem não trocava um governo desgovernado, sem ideias e sem dinheiro, mas a fazer vida de rico, viagens de sonho e compras inúteis? Quem é que não dispensava um governo dependente dos delírios de um homem só e controlado por meia dúzia de interesseiros? Quem não dava de novo para o peditório da libertação só para testar a lucidez de quem manda e a esperteza do povo submisso? Quem é que não quer paz social, qualidade de vida e futuro optimista, sem ter que tolerar palavreado obsceno, teimosias apocalípticas, dívidas assustadoras, investimentos sem retorno e calotes sem conta?... Quem é que não espera simplesmente por um Governo?

Não sabemos se alguma vez haverá compatibilidade entre a verdade e os governos. Mas urge aproximação. Para que haja cada vez menos espaço para quem faz de conta, decide por capricho e ofende quem ainda não tornou refém. Para que o sucesso colectivo não dependa dos executivos. Para que o mérito suba com naturalidade ao poder e limpe a Madeira dos velhos dramas, em forma de clientelismo, de intriga, de ingratidão e de desrepeito pela diferença.

Se ao menos houvesse Governo, e com pacto assinado com a verdade, 50% do subsídio de Natal não fazia diferença! Seríamos mais pobres mas felizes, por muito cruel que seja.