O novo Governo da República anunciou um imposto extraordinário sobre o 13º mês. A medida não atinge quem ganha o salário mínimo e os reformados que recebem abaixo desse valor. Para os restantes cidadãos, o imposto será de 50% sobre os rendimentos acima do salário mínimo. O PS nacional, saído do governo há 15 dias, reagiu prudentemente a esta contribuição transitória. E outra coisa não seria de esperar, já que os socialistas sabem como deixaram as finanças públicas do país. À beira da insolvência. Os números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, revelam que no primeiro trimestre voltou a registar-se uma derrapagem orçamental com um défice de 7,7 por cento, quando no final do ano, temos que estar nos 5,9%. Por cá, o PS desatou numa gritaria e a denunciar "culpados" . É preciso ter descaramento. Quem, no espaço de 5 anos, duplicou a dívida pública para valores astronómicos; lançou o país na segunda recessão económica em 2 anos; prometeu criar 150 mil postos de trabalho e, afinal, lançou mais 230 mil pessoas no desemprego e acentuou as desigualdades sociais, devia ter um pingo de vergonha e alguma contenção verbal. Ao menos façam como os seus camaradas do continente. Devo dizer que não apreciei a medida e fiz sabê-lo a quem de direito e públicamente. No entanto, percebo que há que equilibrar, rapidamente, as contas públicas e que, infelizmente, isso teve que ser feito pelo lado da receita e não, como seria desejável, pelo corte na despesa. Ao menos, este Governo falou verdade aos portugueses e teve a sensibilidade social para proteger os mais vulneráveis e já anunciou que as pensões mínimas serão aumentadas em 2012, ao contrário dos socialistas que as congelaram este ano. Se o PS local julga que o povo tem memória curta, engana-se redondamente. Lamentavelmente, vamos ter que pagar a pesada herança da governação do PS.

José Manuel Rodrigues Líder do CDS-PP/Madeira