A semana política foi profícua em alertas. Em Lisboa, o novo governo entrou em cena com um novo estilo - sem encenações providenciadas pelas agências de imagem, com alguma ingenuidade dos novos 'actores', mas sobretudo com essa virtude de preferir falar verdade sobre problemas verdadeiros. Por cá, bem pelo contrário, avoluma-se a ilusão que os nossos vícios serão resolvidos pela ajuda divina; o 'disco riscado' contra fantasmas incertos também já não disfarça a desorientação de quem sempre se anunciou infalível. Portugal tem um novo governo já na plenitude de funções. Os primeiros indícios são encorajadores. Porque não nos atiram areia para os olhos, porque identificam os problemas concretos e imediatos, com propostas e respostas realistas e exequíveis. 'Caiu o Carmo e a Trindade' sobre um imposto extraordinário, que não é mais do que 300 euros, para quem ganha pouco mais que o salário mínimo, ou até mil ou 2 mil euros, para quem ganha bem. Ora, não se compreende tanto barulho face a estes valores, se se trata de evitar que o País se atire pelo abismo; na Madeira, por exemplo, o contribuinte é autenticamente roubado com vigarices catalogadas com outros nomes - não, infelizmente não é só uma propalada 'pluralidade da informação' a troco de 11 mil euros por dia; há mais e em diversos sectores -, mas quase ninguém reclama, quase ninguém se sente lesado. O que são 300, 500 ou 800 euros face aos outros roubos, aos quais a maioria anestesiada bate palmas? Perspectiva-se que, em Lisboa, o trabalho e a multiplicidade de dossiers do novo governo deixe pouca margem para as legítimas pretensões da Madeira, mas que chegam à capital transformadas em birras inatendíveis. Como já se começou a ver com o governo anterior, o problema já não é a mensagem, mas o estilo truculento do mensageiro-mor. Agora, cada vez mais sem interlocutores, o governo madeirense mostra uma desorientação que começa a ser intrigante. Para chegar a esta conclusão, basta analisar qualquer simples 'recado' enviado para ou sobre Lisboa, seja a propósito de finanças ou sobre o 'sexo dos gays'; basta aplicar esse qualquer 'recado' à realidade madeirense e a incoerência reclamada espalha-se ao comprido... Veja-se o caso enigmático das supostas bandeiras da FLAMA, com as quais esvoaçaram também críticas duríssimas aos "anos de loucura" desta Autonomia, plena de teimosias obstinadas. "Lisboa tem de ter cuidado", titulava em resposta o JM, fazendo sua a voz do dono. Nem mais. Era mesmo disso que os 'independentistas' falavam...
Rui Moisés - Presidente da Câmara de Santana Santana foi designada Reserva Mundial da Biosfera na UNESCO. Durante 10 anos, o município terá oportunidade de mostrar o que vale. Francisco Fernandes - Secretário da Educação A Secretaria da Educação criou uma 'almofada' para as famílias que ficam sem acção social. Privilegiar as boas notas também é o caminho. Artur andrade - Vereador do PCP, no Funchal Conseguiu um feito inédito ao ver aprovado o voto de protesto contra o aterro, numa câmara municipal laranja. A democracia ganha alento. Rui Massema - Maestro da O.C.M. Uma sucessão de actos e intenções prenuncia um certo desgaste do maestro irreverente. Não se acanhe: se já não gostar do que faz, retire-se. Oliveira Martins - Comandante da PSP em exercício As regras da PSP dão um jeitão para evitar abordar questões concretas. As acusações vindas a público esta semana são demasiado graves.
Agostinho Silva - Subdirector