Énio Gonçalves Gostaria de voltar a abordar este assunto, agora em tom menos sarcástico, pois este é um caso sério que merece igual atenção. Estamos a falar de uma família que trabalha o dia todo, e que a partir do momento que chega ao seu lar não consegue ter um minuto que seja de descanso. Estamos a falar de crianças de tenra idade que vivem em constante desassossego, que não conseguem ter uma noite bem dormida a não ser que se sejam medicadas. Estamos a falar de gente de bem, cumpridores dos seus deveres como cidadãos, que são diariamente sujeitos ao mais rude terrorismo psicológico, enquanto as autoridades nada fazem. Tudo isto porque um individuo (para não lhe chamar outro nome), sem qualquer tipo de consideração ou civismo, não se importa de submeter a vizinhança aos incessantes latidos de 8 cães, estando perfeitamente nas tintas para a lei ou para a mais básica boa conduta social. E infelizmente, hoje em dia, este tipo de sujeitos multiplicam-se na nossa sociedade. Só se interessam pelos seus direitos e ignoram rudemente os seus deveres. É vê-los a passear os cachorrinhos nas vias publicas e parques, e depois nem se dignarem a apanhar os dejectos. É vê-los a deitar as beatas e carteiras de cigarros para o chão e o lixo indiferenciado nos ecopontos. É ver esses senhores e senhoras a estacionar nos lugares reservados para deficientes, ou em cima de passeios e passadeiras. É ver os filhos deles nos centros comerciais a fazer tudo o que lhes dá na cabeça, sem o mínimo de controlo... Eles são parte do problema, a outra parte são as autoridades que fazem vista grossa. Apesar de existirem leis, fiscalizar dá trabalho e maçada, e quem tem "empregos" não está para essas coisas. Por isso esses indivíduos (para não lhes chamar bestas ou corja) continuam nos seus modos egoístas e insensíveis, educando a sua prole da mesma maneira, escudados pela moleza, ineficácia e burocracia das entidades. Pois gostaria de deixar aqui uma sugestão. Nestes tempos difíceis, em que só se fala de crise, vamos lá esquecer o aumento de impostos... Aumentem (e muito) as coimas para este tipo de delitos "insignificantes". Parte do valor reverteria para as entidades fiscalizadoras (incentivo para fazerem alguma coisa), e a outra parte ia direitinho para o nosso Estado, que nesta altura bem precisa. Uma caça à multa patriótica, é disso que precisamos! Dessa maneira, os sanguessugas sociais, que só querem direitos e nada de deveres, acabavam contribuindo de alguma maneira, e com o tempo talvez mudassem os seus modos animalescos... Porque infelizmente, nesta sociedade materialista, certo tipo de gente só muda quando lhes doer na única coisa com que se importam... no bolso!