O novo governo está aí e com ele as medidas de austeridade que parecem apenas confirmar que, afinal, não existem limites para os sacrifícios que se podem exigir aos portugueses, ao contrário do que disse o presidente da República.
Não vou entrar na discussão sobre se estas são ou não as medidas mais correctas. Sei que a situação do país não é fácil e que, muito provavelmente, os sacrifícios que nos serão exigidos não se vão ficar por esta machadada no subsídio de Natal.
O grande pecado de Passos Coelho não foi decidir cortar no subsídio do nosso contentamento à pala de um imposto extraordinário. O grande pecado foi ter afirmado, no início deste ano, que não iria fazer o que agora realmente fez.
Afinal, esta decisão ao arrepio de promessas e convicções confessadas é que instaura uma certa desilusão e até um certo desconcerto. É natural que as pessoas queiram saber o que mudou entre os passos do PSD enquanto oposição e as medidas de Passos no poder. É uma questão de acertar os passos, na certeza de que estes serão penosos e que vão trilhar caminhos nada fáceis nos próximos anos.
Uma coisa é certa, não haverá muita margem para sermos amigos, o Governo e nós. Para quebrar o gelo que defintiivamente se instalou, não vai bastar o ministro da Economia tirar o casaco e pedir que lhe chamem Álvaro. É que, senhor ministro, não somos amigos, nem colegas de escola, não consideramos que a Madeira pode ser independente e que Portugal pode vir a ser a Flórida da Europa.
E para que tudo isto comece a fazer algum sentido será necessário ao governo do Álvaro tornar mais claras as suas atitudes e as medidas que se prepara para anunciar. O estado de graça não dura para sempre...