Após o colapso económico de 2008 e consequentes crises das dividas soberanas da Grécia e Portugal, chegamos a um cruzamento: seguimos o exemplo da Islândia ou o beco sem saída da Grécia e das curas FMI. Portugal tem a oportunidade de ver e escolher. Na Grécia decorrem as manifestações na Praça Sintagma onde todos dizem: "Este tratamento não cura o paciente", cidadãos e políticos estão barricados dos dois lados sem diálogo e o "sistema doente" não dá esperanças de melhoras nas mãos dos políticos e banqueiros que causaram o problema. Na Islândia temos a nova perspectiva de cidadania, já existem sintomas positivos, económicos e sociais. Depois das manifestações de 2009, o governo foi afastado, os responsáveis entregues à Justiça, a divida renegociada com o FMI e com a eleição de cidadãos livres, a Islândia procede agora à Revisão da Constituição mudando o sistema de forma inédita: dispensaram académicos, advogados, especialistas e procedem à discussão nas redes sociais facebook/twitter. Num processo intitulado 'CrowdSourcing', onde os cidadãos se inscrevem, participam, comentando e apresentando propostas. Muitos protestaram e disseram que fanáticos/extremistas iam destruir o debate. Tal não aconteceu, a experiência é um sucesso. O debate decorre e a Constituição recebe a contribuição de dois terços da população. A Democracia2.0 melhora a decisão democrática, aproxima o cidadão e retira a "exclusividade" aos partidos. A "partidocracia" em que "profissionais políticos" alternam no poder, afastando os cidadãos para se perpetuarem no poder, TERMINOU! Resta escolher: uma "Praça Sintagma" sem esperança ou uma Democracia2.0 aberta, onde cidadãos livres participam activamente sem a intervenção de terceiros.

João Paulo Gomes - Dirigente do PTP - Partido Trabalhista Português