José Vieira Sou taxista, e no dia 20/06/2011 fui uma das muitas vítimas da operação policial vergonhosa feita pela PSP e DRTT, nas praças, aos táxis. A Madeira já era famosa na internet pela desgraça do 20/Fev/2010, pela insegurança nas levadas, promenades e miradouros e agora também por ser a terra do "taxista bandido". Cheguei a temer que andassem à procura de drogas, bombas ou terroristas. Mas, só encontraram um extintor fora de prazo e um carro sem colete sinalizador. Sinceramente, depois de mais de um século de história, é isto que merecemos? Resta-nos apenas o direito à indignação. Julgava que o alerta do presidente da AITRAM tinha sido o suficiente para começarmos todos a proceder de forma sensata e justa. Infelizmente, vejo que o preconceito continua. O que é legal nem sempre é justo e as leis que regem os transportes nesta terra, são no mínimo tendenciosas. Nós taxistas, não protestamos pelo facto de sermos fiscalizados, mas sim pela forma. Para operarmos, cada táxi necessita de uma Licença, alvará, carteira profissional, carta de condução especial, tabelas, seguros, aferimentos, contabilidade organizada, inspecções semestrais, cor padrão, distintivos, etc. Portanto, ilegais não somos! Há algum tempo atrás, a senhora secretária regional do turismo, teve a "lata" de afirmar, referindo-se a uma classe com mais de cem anos de serviços prestados aos madeirenses e turistas, que não estávamos vocacionados para o serviço turístico. Pois eu digo-lhe, que face à forma injusta e prejudicial com que somos "legalmente" tratados, na minha humilde opinião será talvez V. Exa (quiçá por ignorância) e os vários departamentos da sua secretaria que não parecem estar vocacionados ou capacitados para as funções que exercem. Cara senhora, a concorrência que existe seria salutar sim se houvesse justiça, transparência e equidade legislativa e fiscalizadora. 1-Os Horários do Funchal, comprados, mantidos e subsidiados com o nosso dinheiro, têm autocarros a passar constantemente nas zonas turísticas (em detrimento de outras zonas), têm uma segunda frota só para turistas e ainda por cima vendem passes e bilhetes nas recepções dos hotéis. Tudo isto, feito com gasóleo a preço de chuva. 2-Os nossos alvarás são para uma só viatura, os outros, não só podem averbar as viaturas todas que quiserem, como também podem ainda emprestar esses mesmos alvarás a qualquer malabarista que apareça. 3-As "Carrinhas" e os Rent-a-Car deveriam estar visivelmente identificados de forma permanente com o nome da empresa e alvará, assim não poderiam se "desenrascar" sempre que a procura excedesse a oferta. 4-As inspecções semestrais deveriam ser para todos, não só para os táxis. 5-Alguns hotéis, mesmo os situados dentro do Funchal, possuem veículos para transporte gratuito de hóspedes, que além de não estarem legalizados para tal, são ainda usados para muito mais do que isso. 6-Restaurantes com veículos próprios para transportar clientes que eu ainda não percebi qual o seu enquadramento legal. 7-As nossas licenças, que são camarárias, nas quais em usurpação de poderes, a DRTT, de forma ilegal e abusiva, colocou datas de termo, aumentando a precariedade da nossa profissão e dos nossos investimentos. Isto faz-me suspeitar que estão a preparar mais um golpe contra a nossa classe. Apesar de já ter submetido queixa ao provedor de justiça, ainda não foi reposta a legalidade. Resta-me concluir que possivelmente, aqui na Madeira, o "Estado de direito" é uma anedota e a figura do provedor de justiça um mero artigo decorativo da constituição. E estes são apenas alguns exemplos, existem muitos mais. Infelizmente só existe um DN e o espaço falta para tanta trapalhada.