Portugal tem já um governo empossado, e um programa pronto para ser discutido e aprovado. Passo Coelho, por mais que tentasse na sua campanha, não garantiu a amplitude da maioria reclamada, e tornou-se dependente dos meros 11% que valeu Paulo Portas no passado dia 5 de Junho. Outra dependência que se transformou em passos errantes foi os 14% que Fernando Nobre valeu em Janeiro, e com ele, o brinde acessório do pedestal prometido em São Bento, que resultou num monumental embaraço, que antecedeu a tomada de posse governamental. Cavaco Silva conseguiu que Passos Coelho fosse com zero quilómetros à reunião do Conselho Europeu. O reluzente Primeiro-Ministro, foi mesmo a tempo, e em classe económica, contrariando as mordomias instaladas de muito cacique. Os mercados, na sua conhecida lógica de rapina, brindaram-nos com novos juros recorde, como se Sócrates fosse ainda, o "carrasco" do país. O programa dos próximos quatro anos, não pode surpreender ninguém. Sobretudo quem votou "nele", ou nos partidos do triunvirato. Foram 80% dos votantes nacionais, que estão imunizados à surpresa, e proibidos de reclamar. Na Madeira, onde o actual Primeiro-Ministro não fez campanha, 68 mil almas, (que correspondem a quase 50% dos votantes), elegeram-no, mesmo sem vê-lo! Só posso depreender, que a maioria regional ganhadora, está preparada para acolher resignadamente os ditames que aí vêm. E não são poucas as agruras adicionais para a RAM, onde cada madeirense, não só é sinónimo de português muito endividado, como há futuras gerações insulares hipotecadas. À hora que escrevo estas linhas, vejo imagens de violência em Atenas, antes e após, da aprovação parlamentar de mais medidas de austeridade. No mesmo dia, em que num parlamento regional português, se aprovou um orçamento rectificativo destinado a um aumento da concessão de avales.
Donato Macedo - Licenciado CCO