O novo Governo no seu programa, que hoje começará a ser discutido na Assembleia da República, prevê a criação de uma rede de influência política, de origem portuguesa, no estrangeiro, no âmbito das comunidades portuguesas. No enunciado do programa estão detalhadas diversas medidas que valorizam o papel dos Portugueses que vivem no exterior, e pode ler-se que o novo Governo de Portugal “reconhece o papel do Conselho das Comunidades Portuguesas enquanto órgão consultivo do Governo para as políticas de emigração e comunidades portuguesas", sendo “necessário dar um novo impulso à ligação efectiva entre Portugal e os cidadãos residentes no estrangeiro". Liga-se essa vontade à importância da diplomacia e valorização da intervenção dos cidadãos que vivem noutros países para projectar o nosso País como "pivô de alianças privilegiadas com países e comunidades regionais com forte presença da língua portuguesa". Aqui está à partida uma boa base de trabalho. Não que seja nova. Outros governos prometeram interessar-se e tirar partido das potencialidades que esse melhor relacionamento pode ter para Portugal, sem contudo obterem os melhores resultados. Numa hora em que devemos aproveitar todos os meios que estão disponíveis, a união de vontades e um melhor atendimento a esses Portugueses espalhados pelo mundo, pode potenciar uma cooperação mais profunda com outros países, porventura importantes neste momento da vida nacional, em que será interessante tê-los todos do nosso lado, neste esforço de reconstrução. Os emigrantes já foram muito importantes para a economia nacional. Não o deixaram de o ser, mas foram desprezados, até pela Região Autónoma, com o advento dos fundos comunitários. Agora que o dinheiro está contado, e os gastos se farão em função das receitas, é importante olhar de forma condigna para esse manancial de divisas e de meios que poderão ajudar no resgate da dívida nacional. E não só. Pessoalmente, valorizo as portas que as influências desses Portugueses bem colocados no mundo nos poderão abrir. Um esforço de “lobbing” que é necessário desenvolver e que poderá ter agradáveis resultados políticos e económicos para nós, nos países onde vivem, com os quais pretendemos as melhores relações e para os quais pretendemos exportar mais. Há trabalho feito. Foram abertas algumas portas com os últimos governos socialistas e é necessário que Lisboa as mantenha abertas e mostre disponibilidade, rigor e seriedade nesse relacionamento, levando os instrumentos necessários para que as raízes não se percam, nem as vontades esmoreçam. Levar mais professores portugueses para as comunidades é uma medida que se saúda, abrir mais linhas de crédito para os exportadores é outra medida importante, mas há que manter canais abertos e mostrar disponibilidade para resolver problemas, que se acertam com o melhoramento de procedimentos consulares e com uma presença mais próxima dessas comunidades. Parece fácil, mas as máquinas burocráticas, na maior parte das vezes, não conseguem responder com a eficácia que se deseja.