As coisas que possuímos dão-nos prazer logo no instante da aquisição. Para além da utilização futura que lhes venhamos a dar, o simples acto de as adquirirmos preenche qualquer coisa dentro de nós. Logo nesse primeiro momento. Há mesmo quem defenda que o dinheiro serve para isso mesmo; para nos compensar dos dissabores do dia-a-dia (para além do considerado essencial para a nossa existência) e obtermos dessa forma uma espécie de compensação psicológica. Encontramo-nos num ponto em que não se trata apenas de um ímpeto consumista que, nesta ou naquela ocasião, toma conta de nós. Significa antes demais que temos erguido uma estrutura social de consumo e consumismo que nos entretém e que alimenta as mais diversas indústrias. Habituámo-nos a consumir sempre com o desejo de possuirmos a versão 2.0 de qualquer coisa que vem a seguir; seja o telemóvel, o carro, a roupa, as férias, os equipamentos electrónicos que nos rodeiam e tudo o que preenche a nossa imaginação e se alimenta da nossa carteira. Da maior parte delas não temos a mais pequena (verdadeira) necessidade. A hora é, portanto, a de perguntarmos a cada um de nós se não seríamos igualmente felizes se vivessemos com metade das coisas que possuímos hoje? Enquanto a resposta a esta pergunta for negativa é porque ainda não percebemos que a felicidade não está nas coisas que possuímos, mas antes dentro de nós próprios. [email protected]
Luís Sena Lino - Consultor de Marketing