O Rali Vinho Madeira está fora do IRC, tudo porque não cumpriu com os compromissos financeiros assumidos com a Eurosport Events. Ou seja, a Madeira está fora do IRC por causa de 150 mil Euros. E não vale a pena procurar minimizar este forte revés, com argumentos do tipo daqueles que consubstanciam um eventual menor interesse da competição ou com a percepção que alguns pilotos já cá não vinham porque, agora, é que não vem mesmo ninguém. E a prova perde prestígio e deixa de ser um veiculo de projecção da região no exterior, que a transmissão através da Eurosport permitia. É pena ver uma prova emblemática, como a da Madeira, que subiu a pulso no panorama internacional do automobilismo (velhos tempos os de Luigi Valle…), que recebeu alguns dos melhores pilotos mundiais, que chegou a ser candidata, mesmo com muita utopia pelo meio, ao campeonato do mundo, que, sobretudo, sempre foi uma enorme festa popular em toda a ilha ao longo de três dias, definhar a caminho de uma morte anunciada. É que, abaixo do IRC, não há nada em que interesse verdadeiramente investir. Nem no moribundo campeonato da Europa. Aliás, o que acontece agora com o Rali Vinho Madeira, é transversal a todo o desporto madeirense, outrora pujante e a dar cartas a nível nacional, atravessando também a sociedade regional. É o reflexo da crise, claro, mas também de quem não acredita na fábula da formiga e da cigarra, e preferiu esbanjar tudo no Verão, gozando as delícias de um sol deliciosamente atraente, esquecendo as agruras de um Inverno, por vezes, tenebroso. Aliás, crise que se atravessou também na vida do Marítimo, que alicerçava e projectava o seu futuro num estádio moderno, funcional e comercial, e vê a vida a andar para trás. Uma saga que tem mais de uma década, que vai desde a Prebel ao RG3, passando pela Praia Formosa e acabando nos Barreiros. Sem esquecer a proposta, que visava uma modernização do antigo peão, ter sido linearmente rejeitada e altamente criticada, num momento em que o Nacional se escapuliu para a Choupana e lá 'obrigou' o governo regional a construir a sua cidade desportiva. Para além da oportunidade perdida aquando do Euro 2004. As obras nos Barreiros estão paradas e ninguém sabe quando recomeçarão. E o Hospital não vai ser feito por causa dos Barreiros, mesmo que esta demagogia sirva algumas almas. Mas, neste espaço de tempo perdido, em que o Estádio já poderia estar mais do que concluído, muito antes da crise, muito dinheiro foi esbanjado em coisas no mínimo de interesse altamente duvidoso. Mas é o que temos. E o que temos não promete nada de bom, mesmo para o Nacional "campeão da Madeira"e para o Marítimo, no que concerne ao futebol profissional.
Emanuel Rosa - Repórter