Recentemente fomos surpreendidos (?!) pela proibição, por parte do Presidente do Governo, de todos, os que estão ligados ao PSD, expressarem livremente a sua opinião no Diário de Notícias. Note-se que a minha reacção teria sido igual se se tratasse de outro qualquer meio de comunicação social. E mais, deixou bem claro que, quem não cumprisse sofreria as consequências, o que fez com que a maioria cedesse, para não sofrer represálias, nem para ficar mal com o chefe. Posteriormente deu também indicação aos membros do Governo para declinarem o convite que lhes foi dirigido, para participarem na festa de comemoração dos 200 anos do Grupo Blandy. Enfim, estas atitudes não se enquadram num estado de direito que defende a liberdade individual, mas sim numa ditadura, ainda que disfarçada, que ignora o pluralismo e a independência de expressão. O D.N. convidou pessoas, não convidou partidos, o que quer dizer que cada um é o único responsável por aquilo que escreve. Isto é o resultado de 36 anos de uma maioria absoluta, em que as opções são muito explícitas: ou estão comigo, ou estão contra mim. Cada vez estamos mais longe de viver uma democracia saudável, onde as pessoas aprendem a respeitar as ideias dos outros e a serem respeitadas. Aliás o exemplo mais vivo é o funcionamento da ALM, onde as oposições nunca foram respeitadas. Não podia deixar de me regozijar pela eleição, após 100 anos da implantação da República, de uma mulher para estar à frente do segundo órgão mais importante do País. Tem-se assistido, desde então, a um longo percurso de reivindicações pela igualdade de oportunidades, contestando a organização patriarcal na família, no trabalho, na esfera social e mais difícil ainda, na política. Para mim foi uma lufada de ar fresco. A paridade não pode ser vista como de uma balança se tratasse, onde tudo tem que estar numericamente equilibrado, mas sim de algo aonde as mulheres possam exercer a sua cidadania responsável segundo a sua sensibilidade e interesses.

Isabel Sena Lino - Deputada municipal do PS-M na CMF