Os primeiros dias de governo da nova AD ficam marcados por alegados fenómenos de contenção nos transportes oficiais. Mais para dar nas vistas do que para ser consequente, como atestam alguns exemplos. No dia da tomada de posse, o ministro Pedro Mota Soares fez jus ao nome e chegou de mota chegou ao Palácio da Ajuda. O gesto irreverente, eventualmente destinado a ser imagem de marca de um governante moderno, preocupado com a sustentabilidade e qualidade ambiental, com a poupança e mobilidade ecológica, durou pouco. Dizem que Mota não cumpriu o protocolo. E assim, o ministro que chegou de 'scooter' saiu do Palácio de carro preto. Mude-se já o dito protocolo e toda a tralha burocrática que os governos herdam e não têm coragem de deserdar! Por falar em carros pretos, Passos Coelho não quer abusos Mordomias sim, mas só em serviço. No governo de coligação a ordem é para que os bólides do Estado não sejam usados para ir às compras, dar passeios ao fim-de-semana, nem ir pôr ou buscar os filhos à escola. Oxalá também não sirvam para correrias que violam o código de estrada. Mais louvável seria a medida se aplicada a todo o País. O primeiro-ministro foi e veio a Bruxelas em classe económica. Contudo, não terá pago a sua viagem, já que é prática corrente os ministros e os secretários de Estado serem dispensados do pagamento de bilhete nas deslocações oficiais em que utilizam os serviços da companhia aérea portuguesa. Mesmo assim, ao decidir voar em económica para Bruxelas Pedro Passos Coelho possibilitou que a TAP ficasse com um lugar em executiva livre, onde o preço cobrado é superior ao praticado na classe económica. Será que Passos Coelho já passou a mensagem a toda estrutura do Estado? Ainda ontem o representante da República para a Madeira viajou em classe executiva no voo que o transportou entre o Funchal e Lisboa. A menos que o tenha feito a expensas próprias, estamos perante um caso, que até pode não ser o primeiro, de desfasamento entre o discurso e as práticas dos políticos. O Governo tenta dar o exemplo. O pior são os hábitos instalados. E outros que depressa entram na rotina de quem quer, pode e manda. Vá lá que as mordomias também se acabam com os cargos. Ainda ontem o ex-ministro da Ciência e do Ensino Superior, Mariano Gago, viajou entre Lisboa e Paris em classe económica. Um sinal. Ou mais do que isso.