Triste. Sinceramente, não encontro forma mais simpática para definir o que tem sido o comportamento do PSD-M. Sim, do partido, não apenas do seu líder, como muito convenientemente alguns destacados militantes e dirigentes pretendem fazer passar. É o partido no seu todo, incluindo simpatizantes e adeptos de ocasião. Porque quem acata, segue e multiplica as acções anti-democráticas e as boçalidades, não é melhor do que quem as ordena.

Primeiro, foi aquele voto inqualificável contra o delegado da Comissão Nacional de Eleições, aprovado por deputados que nem tiveram vergonha de assumir acusações e insultos gratuitos.

Depois, coube ao Governo, no seu todo e sem excepções, ter um triste comportamento, ao não participar na comemoração dos 200 anos de um dos grupos económicos mais importantes da Região e dos mais antigos do País. Também neste caso, não foi só o líder, foram todos, mesmo aqueles que pretendem ser mais abertos e democratas e se deculpam nas teimosias do chefe.

Finalmente, o insulto final a si próprios. O patrão não deixa escrever no DIÁRIO e todos cumprem, sem vacilar e apenas olhando para a lista de Setembro. Mesmo aqueles que se arriscam a levar um risco e a ficar de fora da Assembleia e do Governo, sem sequer um telefonema de explicações.

São três exemplos da triste figura a que uma maioria, amplamente sufragada pela população e com idade para ser adulta, não deveria chegar. Mas chegou e o último caso é o mais triste, porque mostra o estado de um partido que viveu (vive), há mais de três décadas, da actuação de um homem. Dos seus sucessos, erros e actuações políticas de inspiração circense.

Passados 36 anos, não há ninguém capaz de enfrentar o líder, de fazer valer uma posição. Alguém capaz de dizer não, de questionar a sanidade de algumas (muitas) decisões. O espectáculo, mesmo que do mais pimba que a política e o relacionamento social possam produzir, vai rendendo os votos de um Povo com preguiça mental suficiente para não questionar nada.

A oposição diz que o líder do PSD-M é o problema da Madeira, mas não tem razão porque, infelizmente, esta terra tem muito mais problemas. É, isso sim, o problema do PSD-M.

Post-scriptum I - Há uns dias, as mulheres sauditas realizaram um protesto pelo direito a conduzir automóveis e foram agredidas à bastonada pelos próprios pais e maridos. Dei por mim a pensar que se fosse saudita, cidadão de uma das ditaduras mais asquerosas do planeta, teria vergonha de me identificar como tal. Tenho medo de um dia, infelizmente próximo, ter vergonha de dizer que nasci nesta terra.

Post-scriptum II - O PSD (nacional) dispensava, totalmente, o triste espectáculo a que uma decisão irreflectida de Passos Coelho, tomada ainda antes da campanha eleitoral, o conduziu. Convidar Fernando Nobre para ser presidente da Assembleia da República não lembrava a ninguém e acabou por ser um insulto aos deputados mais experientes do seu partido. Compreende-se a obrigação de manter o nome depois das eleições, mas podia ter evitado uma derrota, no mínimo, estúpida. Agora, tem de escolher um deputado que aceite ser o suplente de Nobre.